Conheça a luta da atriz Neuza Borges para continuar na TV

 

TEXTO: Oswaldo Faustino | FOTO: Rafael Franca/Rede Globo/Divulgação  | Adaptação web: David Pereira

 

A atriz Neuza Borges | FOTO: Rafael Franca/Rede Globo/Divulgação

A atriz Neuza Borges | FOTO: Rafael Franca/Rede Globo/Divulgação

Ao lembrar de Benê Silva no espetáculo Hair, veio-me à mente de que, fora os memoráveis espetáculos do Teatro Experimental do Negro (TEM), do nosso glorioso Abdias do Nascimento, no Rio de Janeiro, desde os anos 50, a montagem brasileira de Hair foi uma das primeiras a ter vários negros no elenco. Uma das atrizes que ainda hoje está na TV é a Neuza Borges, famosa por seus protestos, lamúrias e manifestações para que lhe concedam um papel. E pensar que não deveria precisar de nada disso, diante de seu incontestável talento.

A atriz nascida em Florianópolis viveu recentemente o papel de Ivete, uma catadora de lixo na novela Araguaia, da Rede Globo. Ela não esconde o fato de só ter conquistado o papel depois de “um pedido desesperado ao diretor Marcos Schechtman, pois estava há dois anos sem trabalho”. Por sinal, isso se tornou uma rotina na vida da atriz nos últimos 20 anos. Ao receber a medalha da Ordem Tiradentes, da Assembléia Legislativa do Rio, nos anos 90, declarou que, ao completar 50 anos, foi abandonada pelos produtores de peças teatrais e arregimentadores de elenco para novelas de TV e filmes.

Pode até ser verdade. E, se não botasse a boca no trombone, Neuza não teria em seu currículo 29 novelas, 13 filmes, entre eles o Polaróides Urbanas, de Miguel Falabella; várias peças de teatro e a conquista de três prêmios de atriz coadjuvante e um de melhor atriz negra, interpretando Cema, em Caminho das Índias, de Gloria Perez, sua eterna salvadora. Aguardando uma indenização da Escola de Samba Unidos da Tijuca, por conta da queda de quatro metros de um carro alegórico, em 2005, a atriz fala sobre os 22 parafusos na bacia e as três placas de titânio no joelho. A amargura de Neusa, cuja carreira começou como crooner de orquestra em casas noturnas, se reveza com alguns momentos de muito bom humor, como aquele em que foi a uma premiação, usando uma peruca loura, e declarou: “A TV é das louras”. Pois é, Neuza, temos de matar um leão por dia e, ainda, agradecer pelas chibatadas.

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