Veja a entrevista com o autor da biografia do músico Martinho da Vila, João Baptista:

 

TEXTO: Denise Pires | FOTOS: Rafael Cusato e Divulgação | Adaptação web: David Pereira

O sambista Martinho da Vila | FOTO: Rafael Cusato

O sambista Martinho da Vila | FOTO: Rafael Cusato

Cidadão mais ilustre de Duas Barras, sambista mais querido de Vila Isabel e embaixador cultural do Brasil nos países africanos de língua portuguesa, Martinho da Vila tem agora sua trajetória contada em livro. Martinho da Vila: Tradição e Renovação foi escrito a quatro mãos pelo pesquisador André Conforte e pelo doutor em letras e ex-vizinho do artista, João Baptista M. Vargens. A obra mostra a importância do artista na história do samba, das escolas de samba e da Música Popular Brasileira, além da relação de Martinho com a lusofonia e o trabalho de aproximação cultural entre os países delíngua portuguesa, especialmente Angola. Confira entrevista com o autor João Baptista:

Além das facetas profissionais de Martinho, a obra aborda questões pessoais do artista ainda sem conhecimento dos fãs?

O livro tem o objetivo de estudar parte da obra musical do compositor, a que está intimamente ligada às escolas de samba do Rio de Janeiro. Martinho, respeitando as tradições, introduz novas linguagens nas três vertentes cultuadas pelas escolas: o partido-alto, o samba de terreiro e o samba de enredo.

Martinho é considerado o representante maior do Brasil em todo país onde a língua portuguesa constitua fator possível de integração. A que se deve esse reconhecimento?

Antes de qualquer iniciativa governamental, Martinho promoveu diversos encontros entre artistas brasileiros e africanos de língua portuguesa. Produziu algumas apresentações de brasileiros em Angola e de angolanos no Brasil. Em 2000, gravou Lusofonia, contemplando canções de todos os países de língua portuguesa, com o apoio do governo português.

Capa da biografia de Martinho da Vila | FOTO: Divulgação

Capa da biografia de Martinho da Vila | FOTO: Divulgação

Como amigo e ex-vizinho de Martinho, quais impressões você tem do homem/artista que ainda não foram divulgadas?

Muitos desconhecem a atuação política de Martinho da Vila. O artista sempre se posicionou claramente a respeito de questões políticas, de seu país e de países estrangeiros. Lutou veemente para que os autores de sambas de enredo recebessem direito de arena, ou seja, tivessem uma participação na venda dos desfiles das escolas de samba. O compositor nunca se furtou de participar de manifestações populares, pouco importando em desagradar alguns setores políticos e empresariais ligados ao poder.

Em sua opinião, qual a verdadeira importância de Martinho parao samba, uma vez que o gênero tem vários expoentes de peso, principalmente no Rio de Janeiro?

Certamente, o Rio tem muitos sambistas de expressão. Citaralguns seria incorrer em graves omissões. Martinho é bamba não somente como sambista. Se fizermos um mapeamento de sua obra, veremos que gravou quase todos os ritmos brasileiros e, também, muitas músicas portuguesas e de países africanos de língua portuguesa. Por isso, Martinho da Vila extrapola as fronteiras nacionais e é sucesso em vários continentes.

Em relação as imagens da obra, o que pode ser destacado?

O livro tem 22 fotos em papel cuchê, retratando aspectos de Duas Barras, cidade serrana fluminense onde nasceu o compositor, sua família, alguns parceiros e suas apresentações no palco. Esse conjunto fotográfico é uma imagem de seu apreço especial à família, aos amigos e à música do estado do Rio de Janeiro.

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