Veja trechos da entrevista com o cantor Tibless sobre sua música

 

TEXTO: Denise Pires | FOTOS: Marina Decourt | Adaptação web: David Pereira

 

O cantor Tibless | FOTO: Marina Decourt

O cantor Tibless | FOTO: Marina Decourt

 

 

Tibless é de Minas Gerais, mas já rodou o mundo acompanhando grandes nomes da música brasileira, em especial Vanessa da Mata, de quem foi backing vocal. Agora, como cantor e compositor, o artista já lançou seu primeiro CD, com influências do afrobeat, soul, R&B e uma forte pegada regional.

Veja trechos da entrevista com o cantor Tibless:

Mineiro que é, imagino que sua vida foi bem musical desde a infância. Acertei?

Desde muito novo, eu cantava no coral das crianças na igreja. Nasci em Passos, no sudoeste mineiro. Cresci com as modas de viola caipira e a música regional, que tem muito do lance dos escravos com as congadas. Escutei Milton Nascimento e Lô Borges e na minha família muitos compõem, cantam e tocam. Isso é muito comum por lá.

Seguir a carreira artística no Brasil é algo extremamente complicado. O que te motiva nessa batalha?

Tem uma canção minha no disco chamada Mediano que diz: “Quando não se faz o que gosta, o máximo que se pode ser é mediano. Faça o que é certo para o seu coração, arrisque e não deixe que o tempo passe, sem você ao menos tentar.” Estas palavras foram fundamentais pra mim. Cursei a faculdade de Direito e pude trabalhar em outra área que não me satisfazia em nenhum aspecto. Obter esse resultado satisfatório na minha carreira só confirma que, na minha vida, optei por ser excelente, não o médio. Pelo menos é o que tento fazer.

De onde vem tanta influência africana em seu trabalho?

Começou em Passos, quando eu era criança. Sempre assistia, com os meus avós, no dia 25 de dezembro, o congado passar. Depois, conheci outros lugares e percebi que aquela música e ritmo eram bem maiores e organizados, havia uma diversidade incrível. Foi meio inevitável não se influenciar.

"...na minha vida, optei por ser excelente, não o médio. Pelo menos é o que tento fazer" | FOTO: Marina Decourt

"...na minha vida, optei por ser excelente, não o médio. Pelo menos é o que tento fazer" | FOTO: Marina Decourt

Quais os pontos principais em seu trabalho de estreia que merecem destaque?

Em Afro-Beat-Ado, quis misturar o afrobeat roots do Fela Kuti com ideias que eu já tinha para um disco de R&B. Meio que naturalmente, equacionei elementos novos ao gênero, principalmente o Soul e R&B. Eram sons que não tinham sido feitos para serem afrobeat, se tornaram depois, por isso o disco tem esse título.

O Afrobeat parece que está ganhando a preferência de muita gente. Aos poucos, novas bandas surgem no cenário musical. Em sua opinião, o ritmo pode vir a ser algo que chamamos de “moda ou ritmo comercial”? Assim como foi com o pagode, a lambada, o axé...

Recentemente rolou uma explosão de afrobeat, mas pelo menos para mim acontece o seguinte: minha intenção é usar o afrobeat como parte rítmica, a base para cantar as minhas ideias, histórias de amor ou sátiras. Tenho escutado o que as bandas vêm fazendo atualmente, e curti muito, mas não vejo o meu som rotulado. O gênero para mim é mais um elemento, talvez seja o principal para que eu pudesse conceber o meu próprio estilo. Quanto à moda, nós somos uma geração de artistas buscando algo novo para se experimentar, é meio natural que vários optem pelo afrobeat, é muito bom. Agora isso vir a se tornar um ritmo comercial tão expressivo como pagode, lambada ou axé, eu acho difícil.

 
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