Veja como anda a presença das modelos negras em concursos no Brasil e no mundo

 

TEXTO: Mariana Brasil | FOTO: Acervo pessoal Deise Nunes | Adaptação web: David Pereira

Deise Nunes, a primeira e única Miss Brasil negra | FOTO: Acervo pessoal Deise Nunes

Deise Nunes, a primeira e única Miss Brasil negra | FOTO: Acervo pessoal Deise Nunes

Apesar de o país ter apenas uma miss negra em mais de 60 anos de concurso, a situação das modelos negras no mercado tem melhorado muito, segundo os especialistas entrevistados. “Hoje em dia, a gente vê muitos comercias com negros, muitas publicidades, coisas que tempo atrás não existia porque diziam que negro não vende produto - e nós sabemos que isso não é verdade.”, diz Evandro Hazzy, dono da escola de misses Allure.

Hazzy acredita que o mercado tende a valorizar cada vez mais a beleza da etnia negra. “As mulheres negras são belas, tem rostos, pele e corpos maravilhosos, e carregam em si uma força natural intensa. As candidatas negras geralmente vão longe nas competições por esse conjunto de fatores”. Para ele, a tenacidade da pele, a beleza física do corpo, os lábios marcantes e o impacto visual dos cabelos permitem que modelos negras gerem belas campanhas, chamem a atenção nas passarelas e em fotografias. “Com o passar dos anos, o mercado de modelos e misses tem realmente se tornado mais inclusivo. O mundo atual evidencia a diversidade e quem não estiver acompanhando isso estará de fora do que é tendência. Hoje, temos espaço para morenas, ruivas, loiras, negros, brancos, orientais, altos, baixos, magros, gordos. As passarelas terão que, cada vez mais, representar todas as pessoas, afinal de contas, o mundo não é composto apenas por um biotipo. O planeta é plural e os padrões de beleza terão que representar isso”. Ele toma como exemplo os resultados obtidos por negras no concurso de Miss Universo. “O Miss Universo, que representa todas as nações, tem dado muito mais vitórias para as negras. No ano de 2011 tivemos a bela angolana Leila Lopes. Já tivemos o caso de bicampeonato de negras, nos anos de 1998 e 1999, com as representantes de Trinidad e Tobago e Botswana.”

Para as meninas negras que sonham com a coroa e a faixa, Deise Nunes, a primeira e única Miss Brasil negra, deixa três dicas: não se desencorajar com os pessimistas, não desistir antes de tentar pelo menos três vezes, e se permitir ser ajudada pelos amigos que aparecerem no caminho. Além de empenho, preparo, foco e determinação, Hazzy complementa que outro fator importante é a formação na área. “Preparar-se, fazer cursos para melhorar dicção e oratória, dar uma espiada nas tendências de cabelo, moda, maquiagem e, principalmente, saber o que está acontecendo no mundo a sua volta. A informação liberta”, conclui.

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