Ancestralidade ecoa no AWURÊ

Redaçãomarço 20, 202016 min
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Por Flavia Cirino

Fotos: Carolina Merat e Michele Beff

ÀWÚRÉ é um termo Iorubá formado pela junção das palavras À, nós ou nos, WÚ, desejar, e RÉ ibukun, suas bênçãos. Está presente em grande parte dos cantos sagrados, fazendo menção a desejos de boa sorte, bênçãos e votos de prosperidade. E é com esse objetivo que semanalmente centenas de pessoas se reúnem no Rio de Janeiro para propagar coisas boas através da música, elo de ligação entre o Grupo Awurê e aqueles que reafirmam a importância do papel da cultura negra como protagonista sociocultural.

Com objetivo de exaltar a influência africana na cultura do carioca e resgatar a ancestralidade usando a música, os cânticos e a poesia em forma de samba, o Awurê foi criado em 2017 por quatro produtores cariocas, tendo como principal diretriz evidenciar os ritmos brasileiros e sons africanos, romper intolerâncias e fazer cultura popular a partir da ancestralidade.

“A cultura negra no Rio é plural, diversa, afirmativa e se consolida cada vez mais.  Criamos nosso mercado, comunicamos com nosso público, isso é identidade, representatividade, e é isso que tem feito nosso movimento crescer. Enquanto não temos subsídio para emplacar nossos trabalhos, vamos nós por nós. O teatro negro do tem dado exemplo, literalmente roubou a cena, tem para todo gosto e público, as rodas de sambas que tem ganhado espaço, se organizando quebrando paradigmas, as escolas de samba com enredos que tocam na ferida de uma sociedade racista, o nosso cinema negro no Rio está ativo, a literatura negra, a contação de história negra, coletivos dentro e fora das universidades. O Rio de Janeiro negro de cultura tem sido nosso porto seguro frente a atmosfera política que temos lutado. E o Awurê é um cais pronto para receber a todos que querem esse axé”, destaca Anderson Quaker, diretor artístico e produtor do grupo.

 

Os encontros começaram debaixo de uma mangueira em Madureira, no Subúrbio carioca, com a ideia de trazer para esse quintal pessoas de diferentes pontos da cidade, crenças, e gostos para falar sobre identidade, religiosidade, direito e cultura misturando, música, cinema, literatura, gastronomia com um olhar de valorização da identidade negra e influencias dela na construção como cidadão. Atualmente, além do quintal de Madureira, o Awuré transforma o terraço do Hotel Selina, na Lapa, num terreiro africano dos bons.
Segundo Arifan Júnior, cantor e compositor do Awurê, o grupo busca “reafricanizar” o samba.

“O grupo nasceu de encontros despretensiosos, de músicos de diferentes escolas, com o objetivo de reafricanizar o samba, além de exaltar a importância da influência africana na construção da identidade carioca, levando para além dos muros das casas de santo, a beleza do nosso sagrado, atuando de forma frontal na desconstrução da cultura de demonização e desrespeito ao nosso legado sagrado africano. Coadunando com essa atuação, a luta pela nossa existência e a existência e preservação dessa memória, reivindicando à humanidade, à emoção e os demais sentimentos que o racismo nos negou.”

O enfoque à diversidade de ritmos brasileiros e sons africanos é o que marca a concepção musical adotada pelo grupo. Em seus shows, são apresentados samba, jongo, ijexá, coco, samba de roda e uma grande variedade de toques do candomblé.

“Ancestralidade pulsa em torno do nosso projeto, essa repercussão acontece pela falta de representatividade para nós negros brasileiros, que tivemos um apagamento histórico muito grande. Sentimos falta de saber mais de onde viemos e quem foram nossos antepassados. Com o Awurê resgatamos, através da música, dança, toques e o audiovisual essa conexão ancestral. Em todos os eventos tem dado lotação máxima, escutamos do público o quanto eles sentem essa ligação com a África, mesmo sem nunca ter ido lá. Para nós esse reconhecimento não tem preço”, diz o produtor de áudio visual Pedro Oliveira.

 

Awurê pelo Brasil

 

Cantora e produtora do grupo, Fabíola Machado revela que o Awurê pretende leva o show “Mãe África” para os quatro cantos.

 

“Esse ano fomos convidados pela Secretaria de Cultura do Espirito Santo para fazer os 26 anos do Museu Negro da cidade, o Mucame. Já recebemos convites para São Paulo e Bahia. Nossa ideia é levar o trabalho ao público de várias cidades do país. Nosso show, ‘Mãe África’, tem músicas autorais e regravações que contam um pouco da nossa visão do papel da África em nossas influências. Trabalhamos de forma coletiva para que esse sonho seja levado com verdade.”

 

Ancestralidade ecoa no AWURÊ

Por Flavia Cirino

Fotos: Carolina Merat e Michele Beff

ÀWÚRÉ é um termo Iorubá formado pela junção das palavras À, nós ou nos, WÚ, desejar, e RÉ ibukun, suas bênçãos. Está presente em grande parte dos cantos sagrados, fazendo menção a desejos de boa sorte, bênçãos e votos de prosperidade. E é com esse objetivo que semanalmente centenas de pessoas se reúnem no Rio de Janeiro para propagar coisas boas através da música, elo de ligação entre o Grupo Awurê e aqueles que reafirmam a importância do papel da cultura negra como protagonista sociocultural.

Com objetivo de exaltar a influência africana na cultura do carioca e resgatar a ancestralidade usando a música, os cânticos e a poesia em forma de samba, o Awurê foi criado em 2017 por quatro produtores cariocas, tendo como principal diretriz evidenciar os ritmos brasileiros e sons africanos, romper intolerâncias e fazer cultura popular a partir da ancestralidade.

“A cultura negra no Rio é plural, diversa, afirmativa e se consolida cada vez mais.  Criamos nosso mercado, comunicamos com nosso público, isso é identidade, representatividade, e é isso que tem feito nosso movimento crescer. Enquanto não temos subsídio para emplacar nossos trabalhos, vamos nós por nós. O teatro negro do tem dado exemplo, literalmente roubou a cena, tem para todo gosto e público, as rodas de sambas que tem ganhado espaço, se organizando quebrando paradigmas, as escolas de samba com enredos que tocam na ferida de uma sociedade racista, o nosso cinema negro no Rio está ativo, a literatura negra, a contação de história negra, coletivos dentro e fora das universidades. O Rio de Janeiro negro de cultura tem sido nosso porto seguro frente a atmosfera política que temos lutado. E o Awurê é um cais pronto para receber a todos que querem esse axé”, destaca Anderson Quaker, diretor artístico e produtor do grupo.

 

Os encontros começaram debaixo de uma mangueira em Madureira, no Subúrbio carioca, com a ideia de trazer para esse quintal pessoas de diferentes pontos da cidade, crenças, e gostos para falar sobre identidade, religiosidade, direito e cultura misturando, música, cinema, literatura, gastronomia com um olhar de valorização da identidade negra e influencias dela na construção como cidadão. Atualmente, além do quintal de Madureira, o Awuré transforma o terraço do Hotel Selina, na Lapa, num terreiro africano dos bons.
Segundo Arifan Júnior, cantor e compositor do Awurê, o grupo busca “reafricanizar” o samba.

“O grupo nasceu de encontros despretensiosos, de músicos de diferentes escolas, com o objetivo de reafricanizar o samba, além de exaltar a importância da influência africana na construção da identidade carioca, levando para além dos muros das casas de santo, a beleza do nosso sagrado, atuando de forma frontal na desconstrução da cultura de demonização e desrespeito ao nosso legado sagrado africano. Coadunando com essa atuação, a luta pela nossa existência e a existência e preservação dessa memória, reivindicando à humanidade, à emoção e os demais sentimentos que o racismo nos negou.”

O enfoque à diversidade de ritmos brasileiros e sons africanos é o que marca a concepção musical adotada pelo grupo. Em seus shows, são apresentados samba, jongo, ijexá, coco, samba de roda e uma grande variedade de toques do candomblé.

“Ancestralidade pulsa em torno do nosso projeto, essa repercussão acontece pela falta de representatividade para nós negros brasileiros, que tivemos um apagamento histórico muito grande. Sentimos falta de saber mais de onde viemos e quem foram nossos antepassados. Com o Awurê resgatamos, através da música, dança, toques e o audiovisual essa conexão ancestral. Em todos os eventos tem dado lotação máxima, escutamos do público o quanto eles sentem essa ligação com a África, mesmo sem nunca ter ido lá. Para nós esse reconhecimento não tem preço”, diz o produtor de áudio visual Pedro Oliveira.

 

Awurê pelo Brasil

 

Cantora e produtora do grupo, Fabíola Machado revela que o Awurê pretende leva o show “Mãe África” para os quatro cantos.

 

“Esse ano fomos convidados pela Secretaria de Cultura do Espirito Santo para fazer os 26 anos do Museu Negro da cidade, o Mucame. Já recebemos convites para São Paulo e Bahia. Nossa ideia é levar o trabalho ao público de várias cidades do país. Nosso show, ‘Mãe África’, tem músicas autorais e regravações que contam um pouco da nossa visão do papel da África em nossas influências. Trabalhamos de forma coletiva para que esse sonho seja levado com verdade.”

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