Estilo caboverdeano

Redaçãomarço 20, 20204 min
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Quando ganhou uma bolsa de estudos universitários, concedida pelo governo de Cabo Verde, na Africa, Angela Brito acreditava que Portugal seria seu destino para realizar o sonho de se graduar em Engenharia. Mas acabou parando em Niterói, na Região Oceânica do Rio de Janeiro. E lá se vão 20 anos…

 

Formou-se na profissão que escolheu, mas não a exerceu. Com a escassez de dinheiro, produzia suas próprias roupas, algo que aprendeu ainda na infância. Só que, com a experiência da Arquitetura, resolveu dar um toque a mais em suas criações.

 

Com um design sofisticado e minimalista, cheio de recorte, nascia em 2014 a Angela Brito Brand, inspirada pela vontade da estilista de promover liberdade através da moda, intimamente ligada às suas vivências pessoais, através de formas clean. A grife prima pela elegância e bom gosto, fugindo do lugar comum de estampas multicoloridas, quando o assunto é moda africana.

 

“Em Cabo Verde, carregamos uma certa austeridade no corte e nas cores e uma elegância própria. Minha mãe costurava, eu era a mais velha de cinco irmãos e gostava de ajudá-la. Adorava riscar e organizar as modelagens. A alfaiataria vem do berço cabo-verdiano, mas esses elementos começaram a dialogar com a ideia de desconstrução e assimetria depois de longos anos atuando na área tecnológica, quando os números faziam parte do meu dia a dia. Isso, de alguma forma, interferiu na forma como vejo os corpos vestindo essas roupas. Sou apaixonada por essa forma estrutural, quase de engenharia, no vestir.”

Mãe de uma menina de oito anos, Angela lidou por muito tempo com a solidão da mulher negra. Se via sozinha, convivendo com o racismo velado. E teve a ideia de criar a coleção Cura. Dela, nasceu o projeto homônimo.

 

“O projeto veio de uma carência minha de contato com outras vivências, como estrangeira, africana e negra. Somos um grupo de mulheres negras inseridas em diferentes contextos, que habitam diferentes lugares e corpos, mas que se cruzam a partir de suas vivências. Discutimos sobre tudo, sem pauta e sem regras, só com afeto. A união faz a força, a união das nossas promove a cura.”

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Há 24 anos no mercado, a pioneira e mais antiga publicação negra do Brasil.

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