Arte e História nos muros

Eternizar o rosto de personalidades pretas nos muros da cidade do Rio de Janeiro. Esse é objetivo do Projeto Negro Muro, iniciado em 2018, que tem encantado quem se depara com o trabalho do artista urbano Cazé Arte e do pesquisador da cultura africana Pedro Rajão. A dupla já tem dez obras espalhadas, por enquanto, apenas na cidade do Rio. Mas já existem muros programados para algumas cidades da Baixada Fluminense e propostas para outros estados, ainda em negociação.

“Como pesquisador do universo da música e histórias africanas e negras em diáspora; como

transeunte da cidade e preocupado com nossa

memória social, com a exaltação e celebração dos nossos ícones pretos, figuras que edificaram nossa cultura e nossa cidade, escolho os personagens pensando na relação de cada um deles com o território onde são pintados. Pensamos a arte urbana como um trabalho de arte-educação, um trabalho de memória. Uma ação de transformar rostos negros em monumentos públicos”, diz Cazé.

No muro mais recente, na Glória, na Zona Sul da cidade, foi retratada a  figura do maestro pernambucano Moacir Santos. Na Rua dos Inválidos, na Lapa, chama a atenção a imagem de Cartola, com quatro metros de altura. A pintura de Marielle Franco, na Rua André Cavalcanti, na Lapa, foi feita no dia seguinte ao assassinato da vereadora, em março de 2018. Atualmente existe uma versão do retrato, que foi atualizada pelos artistas em 2019. O desenho tem mais de três metros de altura. Também na Lapa, na Rua do Riachuelo, está o rosto de Mãe Beata de Iemanjá, uma pintura de cinco metros de altura.

O Projeto Negro Muro é  financiado a partir de clientes diretos, patrocínios, editais e financiamentos coletivos.

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