As questões raciais ainda fazem com que tenhamos poucos bailarinos negros de destaque. Saiba mais

 

TEXTO: Redação | FOTO: Roselha Lopes | Adaptação web: David Pereira

Aula de balé do Clube Escola | FOTO: Roselha Lopes

Aula de balé do Clube Escola | FOTO: Roselha Lopes

Ainda é muito raro ver bailarinos negros profissionais em destaque, algo que pode ser creditado ao estigma das diferenças raciais no Brasil, em particular - o que torna o acesso a estas atividades bastante difícil. Sendo um estilo historicamente carregado de elitismo, e por isso mesmo cheio de crivos e padrões discriminatórios, sempre foi em geral uma atividade bastante cara. A disponibilização de tais práticas de dança ao alcance das camadas mais populares da população anuncia mudanças significativas para o presente e para o futuro, também.

Espaços públicos como os Clubes Esportivos, Centros Culturais, Centros Educacionais Integrados, entre outras iniciativas governamentais, acabam fazendo a ponte preliminar entre sonhos e realidade: “As crianças são dedicadas. Trabalham duro, talvez porque saibam que esse é um mundo normalmente frequentado só pelas elites”, afirma a professora Marly Rampazzo. Com quase 100 alunas, entre crianças, adolescentes e adultas, a mestra se reveza nas quatro turmas que ministra, dedicando-se ao ensino dessa arte que há séculos encanta e comove pessoas de todas as classes sociais.

O interesse é tamanho que, durante o ensaio da turma mais avançada, inúmeros frequentadores do Clube Escola param para observar os exercícios e as coreografias ensaiadas pelo grupo. Dizer que a população não tem gosto por certo tipo de cultura é uma falácia. O que não houve ao longo da história foi uma sistemática oferta e consequente acesso a certos aspectos da cultura, assim como da educação.
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