Bombril tira esponja ‘Krespinha’ do mercado

Redaçãojunho 21, 20208 min
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Valeu muito à pena a pressão de influenciadores digitais e internautas, diante do inacreditável anúncio da marca de esponja de aço ‘Krespinha’, do grupo Bombril. Acusada de racismo nas redes sociais, a empresa decidiu tirar o produto de circulação no mercado.

O nome do produto remetia aos cabelos crespos, o que levou a empresa a ficar entre os tópicos mais comentados do Twitter na última quarta-feira (17).

Além do nome associado ao racismo, muitos usuários destacaram estar chocados que o suposto lançamento aconteceu em meio ao momento em que o mundo debate o racismo estrutural.

Alguns deles inclusive lembraram que a publicidade de uma esponja de aço com o mesmo nome, mas de outra fabricante (na verdade, uma loja, a Sabarco, no centro de São Paulo), que trazia a imagem de uma criança negra e fazia alusão a seu cabelo, em 1952.

A Bombril emitiu uma nota de desculpas.

Horas depois, em comunicado publicado em sua conta no Twitter, a Bombril disse que o produto já existia há 70 anos e, diferentemente “do que foi divulgado nas redes sociais ou na mídia em geral, não se tratava de lançamento ou reposicionamento”.

“A Bombril decidiu que vai retirar, a partir de hoje (17 de junho), a marca Krespinha do seu portfólio de produtos. Diferentemente do que foi divulgado nas redes sociais e na mídia em geral, não se tratava de lançamento ou reposicionamento do produto”, informou a nota.

“A marca estava no portfólio há 70 anos, sem nenhuma publicidade nos últimos anos, fato que não diminui nossa responsabilidade. Mesmo sem a intenção de ferir ou atingir qualquer pessoa, pedimos sinceras desculpas a toda a sociedade.”

“Cada vez mais, em todo o mundo, as pessoas corretamente cobram das empresas e das instituições o respeito e a valorização da diversidade. Não há mais espaço para manifestações de preconceitos, sejam elas explícitas ou implícitas. A Bombril compartilha desses valores”.

“Em função disso, vamos imediatamente rever toda a comunicação da companhia, além de identificar ações que possam gerar ainda mais compromisso com a diversidade”, finalizou o comunicado.

Outros produtos retirados das prateleiras

Ao redor do mundo, produtos acusados de racismo vêm sendo reformulados ou retirados do mercado, na esteira dos protestos antirracistas após a morte do americano George Floyd.

Nos Estados Unidos, a fabricante de alimentos Quaker Oats Company anunciou, também na quarta-feira (17), que está aposentando a marca e o logotipo do xarope para panquecas Aunt Jemima (Tia Jemima, em português), com mais de 130 anos, reconhecendo que suas origens se baseiam em um estereótipo racial.

“Enquanto trabalhamos para progredir em direção à igualdade racial por meio de várias iniciativas, também devemos examinar com atenção nosso portfólio de marcas e garantir que elas reflitam nossos valores e atendam às expectativas de nossos consumidores”, disse a empresa de propriedade da Pepsi, em comunicado.

A aparência da Aunt Jemima evoluiu com o tempo. A origem e o logotipo da marca são baseados na música Old Aunt Jemima, de um artista de show de variedades do século 19. O site da empresa diz que o logotipo foi criado em 1890 e se baseou em Nancy Green, uma “contadora de histórias, cozinheira e missionária”. No entanto, não menciona que Green era uma escrava.

Já a Mars, fabricante do arroz Uncle Ben, que retrata um homem negro em seu logotipo, disse que “agora é a hora certa de a marca do tio Bem evoluir, incluindo sua identidade visual, o que faremos”, acrescentando que “ainda não sabemos quais serão as mudanças e o tempo exato, mas estamos avaliando todas as possibilidades”.

A B & G Foods Inc., dona da Cream of Wheat, disse ao jornal americano The Wall Street Journal que revisaria o logotipo de um chef negro de mais de um século do mingau de semolina “para garantir que nós e nossas marcas não contribuíssemos inadvertidamente para o racismo sistêmico”.

Por seu lado, a Conagra Brands Inc., que vende o xarope para panquecas Butterworth em uma garrafa em forma de mulher, disse que está revendo a marca e sua embalagem.

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Redação

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Há 24 anos no mercado, a pioneira e mais antiga publicação negra do Brasil.

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