Veja o que foi o Great Kings of Africa

 

Texto: Oswaldo Faustino | Foto: Divulgação | Adaptação web Sara Loup

Great Kings of Africa | Foto: Shutterstock

Great Kings of Africa | Foto: Shutterstock

Nos anos de chumbo da ditadura militar em nosso País, volta e meia ouvíamos a máxima do ex-tenente revolucionário de 1924, Juracy Magalhães, guindado, em 1964, ao cargo de embaixador brasileiro em Washington, de que “o que é bom para os EUA é bom para o Brasil”.

Mas quando os movimentos negros daqui passaram a usar como referência a atuação tanto dos afro-americanos pacifistas lutadores pelos direitos civis quanto dos mais radicais Panteras Negras e estudantes do BlackPower, aí a coisa mudou. Foram acusados de “macaquear” os estrangeiros. (Será que alguém duvida que essa afirmação tinha um cunho racista?).  Os americanos sabem que a melhor maneira de se conseguir mudanças é mexer no bolso daqueles que nos prejudicam e, obviamente, favorecer nossos pares. O boicote ao consumo de produtos que desconsideram o consumidor negro e a eleição das marcas que agem de maneira oposta transformaram-se numa arma importantíssima das questões étnico-raciais.

Não sabemos se foi por esse motivo que a cerveja americana Budweiser patrocinou, em 1975, a execução de mais de 30 obras de arte, produzidas por expressivos artistas plásticos daquele país, com o título de Great Kings of Africa. Transformada em gravura, o que barateou muito seu preço, a coleção traz em cada pôster uma breve história do rei ou rainha do passado africano retratado (a) sob orientação do historiador John Henrik Clarke (1915-1998).

Tornou-se uma febre não só entre militantes, mas também entre os afro-americanos considerados “comuns”. As imagens foram adquiridas por escolas e serviram de referência para o estudo de história da África.O patrocínio da cervejaria suscitou protestos de brancos e também de negros conservadores, que afirmaram ser um estímulo ao consumo de bebidas alcoólicas pelas crianças.

 

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