Christian Tumi, cardeal camaronês, inicia-se na religião ancestral africana

O cardeal camaronês, Christian Tumi, de 90 anos, iniciou-se na religião africana ancestral no início deste mês. Tumi que até então era devoto do catolicismo, se reencontrou com as raízes por meio de um tradicional ritual iniciático da espiritualidade africana e bantu.

Ele que é nascido em 1930, na província de Kumbo, região noroeste de Camarões, foi ordenado padre em 1966 antes de chegar ao escalão mais alto do apostolado nas décadas de 1980-1990. Sua iniciação no esoterismo africano puro demonstra a necessidade de reconexão com a Essência, prova de identidade real.

O cardeal é conhecido em Camarões por suas incansáveis tentativas de mediação entre os separatistas anglófonos e o governo de Yuandé e recentemente, em 5 de novembro de 2020, foi sequestrado por rebeldes durante conflito armado e libertado um dia depois, junto com seu motorista.

A cerimônia de iniciação foi marcada com bastante orgulho dos mestres iniciadores. Ao receber o batismo tradicional, Christian Tumi ganha a admiração dos kemitas ou animistas que se dedicam assiduamente na proteção, defesa e promoção da espiritualidade africana e pela conexão com o mundo dos ancestrais.

“Damos as boas-vindas ao nosso irmão iniciado, Christian Tumi, que finalmente entendeu o valor e a importância das nossas tradições. Estamos felizes por tê-lo conosco agora. Que a sua sabedoria ilumine toda esta juventude africana com quem contamos para popularizar o culto dos nossos antepassados”, disse o Mestre Moukoulimba, que há 40 anos realiza o rito balagwei dos pigmeus do leste dos Camarões. A reportagem foi publicada por La Voix du Centre, e a tradução é de André Langer.

A iniciativa do cardeal poderá refletir nos demais sacerdotes camaroneses, que queiram se reconectar com grandes áreas étnico-culturais.  A opinião pública na região, entretanto, segue ainda dividida sobre o gesto do cardeal. De acordo com a reportagem original, alguns veem o sincretismo enquanto outros inicialmente apoiam a mensagem que o prelado transmite.

Em 7 de março, vestido tradicionalmente com os trajes da religião, Tumi fez sua primeira aparição pública após a iniciação à religião ancestral.

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