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Clementina de Jesus

  • Autor: Redator

  • Publicado em: 17/10/2016

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Conheça a história da sambista Clementina de Jesus

 

Texto: Oswaldo Faustino | Foto: Divulgação

 

Clementina de Jesus | Foto: Divulgação
Clementina de Jesus | Foto: Divulgação

Galo cantou às quatro da manhã. Céu azulou na linha do mar. Vou-me embora desse mundo de ilusão, que me fez sorrir. Não há de me ver chorar...”

A voz forte da saudosa cantora mineira Clara Nunes dá uma nova personalidade ao samba dolente de Paulinho da Viola... De repente, entra uma voz estereofônica trinada fortalecendo e enegrecendo ainda mais a canção. Assim era Clementina Jesus, cuja voz, como no toque de um Midas africano, tornava profundamente negro tudo o que cantava. Quem não a conhecesse, ao ouvi-la, podia exclamar com toda a propriedade: “Afinal, que negra é essa?”.

Morando em Oswaldo Cruz, viu nascer a Portela, surgirem e se tornarem famosos ou não inúmeros sambistas. Casou-se com quase 40 anos, mudou-se para Mangueira e dá-lhe mais samba.
Dizer que trabalhou de empregada doméstica não é nenhuma novidade. Quantas das mulheres negras que se tornaram artistas, intelectuais, profissionais liberais tiveram de passar por essa profissão até conquistarem força e reconhecimento para seguir outros rumos profissionais?

Clementina já estava com 62 anos, quando o poeta Hermínio Bello de Carvalho a convidou para o show Rosa de Ouro, que resultou no primeiro disco do qual Clementina participou, cantando jongo. Sambas, jongos, corimás, cantos de trabalho, coisas de pretos que a Rainha Quelé conhecia como ninguém. Uma rainha que cantava e foi cantada como quase ninguém. Talvez Noel, talvez Cartola, ou um ou outro artista mais, tenha sido tão homenageado com sambas como foi Clementina de Jesus.

Dos 13 discos que gravou – cinco dos quais solos aquele de 1979, cuja capa traz uma pegada na areia, é imbatível. Outra pérola rara é o Canto dos Escravos, com Doca e Geraldo Filme. Clementina tinha voz de evocação, dessas capazes de trazer de volta toda a nossa ancestralidade. Ah, quem dera surgisse uma voz única que conseguisse, com a mesma força, evocar a própria Clementina!

 

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