Conheça um pouco da história do rapper Rael

 

TEXTO: Christiane Gomes | FOTO: Divulgação | Adaptação web: David Pereira

 

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Capa do CD de Rael | FOTO: Divulgação

Ele começou a escrever suas composições aos 16 anos. Cresceu ouvindo em casa discos de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Alcione, Agepê, James Brown, Bob Marley e Racionais MCs. No começo dos anos 2000,formou o grupo de rap Pentágono, que segue em atividade até hoje. Mas paralelamente a este trabalho, vinha a vontade de trilhar um caminho que dialogasse com a gama de ritmos musicais que o Brasil tem para dar e vender. Foi com essa motivação que Rael lançou, em 2010, o disco MP3 – Música Popular do Terceiro Mundo.

Mas o rapaz do Grajaú (bairro da zona sul de São Paulo) queria se aprofundar mais nesse caminho. Afinal, como ele mesmo diz, seria um desperdício não usar a diversidade musical deste país tropical. Com essa ideia na cabeça, Rael acaba lançou o Ainda bem que eu segui as batidas do meu coração, álbum que tem a produção, para lá de caprichada, da dupla norte-americana Beatnick & K-Salaam, que játrabalhou com nomes como Lauryn Hill, Mos Def e Emicida.

Muito bem recebido pela crítica e sucesso de público (o show de lançamento, em São Paulo, teve ingressos esgotados com duas semanas de antecedência), o Ainda bem que eu segui as batidas do meu coração ilustra com muita originalidade como Rael encara a relação do rap com outras vertentes musicais. O braço mais popular do hip hop está lá, presente nas batidas e nas letras, mas o diálogo com outros gêneros, como o samba e o reggae, vieram de forma definitiva.

A participação da cantora Mariana Aydar, na faixa Coração, e de Péricles (ex-Exaltasamba) e Emicida na canção Oyá mostra que está tudo junto e misturado em um mesmo balaio, com muita liberdade. “Eu sempre costumo me referir ao rap como ‘a música rap’ para as pessoas entenderem que não é só o discurso, que o rap antes de tudo é música, que é ritmo e poesia, que o ritmo pode ser o que você quiser, e a poesia é o que você verbaliza, seja sobre um problema sociopolítico, seja sobre uma mulher que você ama. E eu acho que tanto essa liberdade de expressão quanto o gosto por outras vertentes musicais têm tornado o rap uma coisa mais abrangente”. Mas Rael chama a atenção de que essa é uma ficha que ainda precisa cair para o público.“Falta muito para o rap se tornar uma música popular brasileira, a grande maioria das pessoas ainda não assimilou isso”.

Mas o caminho para que esse entendimento aconteça tem em seu trabalho um grande representante.Rael, até pouco tempo atrás usava o codinome da Rima. Mas decidiu mudar para apenas Rael. Ele conta que a exclusão do “da Rima” veio de muita reflexão após entrevistas ou programas de TV em que as pessoas pediam para que ele fizesse um freestyle, ou seja rimar no improviso. Logo ele que, segundo sua própria opinião, não é dos melhores rimadores. “Ser só Rael me dá a liberdade para não ser apenas ‘da rima’ e sim o Rael que canta, que toca um violãozinho na humilde (risos). Enfim, me dá a possibilidade de ser da música de modo geral”, conta.

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