Saiba um pouco mais sobre a Laboratório Fantasma, produtora e grife do cantor Emicida

 

TEXTO: Fernanda Alcântara | FOTOS: Laboratório Fantasma | Adaptação web: David Pereira

 

Conheça a grife do cantor Emicida | FOTO: Divulgação Laboratório Fantasma

Conheça a grife do cantor Emicida | FOTO: Divulgação Laboratório Fantasma

Confira a entrevista com o rapper Emicida sobre sua grife e produtora Laboratório Fantasma.

Inicialmente, o seu trabalho de divulgação era feito pessoalmente, o que facilitava para o público que não tem acesso à internet. Você ainda faz algum tipo de ação para alcançar este público?

Com certeza! Não há um show nosso em que a gente não distribua flyers de mão em mão, por exemplo.

Você já liberou músicas suas para download gratuito pela internet. Qual a sua opinião sobre a distribuição livre de músicas?

Eu sou favorável na medida em que houver uma estratégia e um plano por trás disso. Liberar simplesmente por liberar não acho vantajoso porque há um custo para viabilizaraquela música. Se eu preciso viver de música, não posso simplesmente ficar fazendo e jogando na internet. Já fiz isso algumas vezes com um objetivo claro na cabeça, o download gratuito era parte de uma ação para espalhar aquele projeto. Desta vez, com meu novo disco, decidimos colocar para streaming no YouTube, com um vídeo que mostra aquelas músicas nascendo no estúdio. Neste primeiro momento, vejo um saldo muito positivo nessa nossa estratégia.

Você utiliza da sua imagem e do seu perfil pessoal nas redes sociais para desenvolver estratégias de marketing. Como você lida com este gerenciamento? Sua vida profissional não acaba se misturando muito com a pessoal?

De maneira nenhuma, porque essas acabam sendo ferramentas mais destinadas mesmo à divulgação do trabalho. Meu perfil no Twitter e no Instagram, por exemplo, é do Emicida,não do Leandro Roque de Oliveira. Eu tenho consciência de que se não quiser expor minha vida pessoal não posso agir como se não tivesse 390 mil pessoas me seguindo no Twitter. No Facebook direcionamos todo o trabalho de divulgação para a minha fanpage. E pra ser bem sincero, eu uso muito pouco as redes sociais para assuntos pessoais. É bem mais fácil mandar e-mail ou ligar pras pessoas.

A indústria fonográfica hoje passa por grandes mudanças, principalmente na parte financeira. Como você vê o mercado da música no futuro, daqui a uns 10 anos, por exemplo?

Tenho um receio de que em dez anos a gente se veja onde estávamos há dez anos, totalmente dependentes das gravadoras, de que essa movimentação na direção de uma autogestão para a música independente se sustentar morra na praia. As pessoas falam muito da minha empresa como um modelo de que é possível. Eu e meu irmão, Evandro Fióti, damos palestras sobre isso, mas quantas empresas como a nossa há no mercado? Quantas pessoas se estruturaram para meter a cara? São poucas, eu gostaria que houvesse mais, acho necessário pra que a gente consiga construir uma cena totalmente independente de verdade.

 

Camisetas da grife Laboratório Fantasma | FOTO: Divulgação Laboratório Fantasma

Camisetas da grife Laboratório Fantasma | FOTO: Divulgação Laboratório Fantasma

 

Das mixtapes, o Laboratório passou a vender também produtos como camisetas e acessórios diversos. O que motivou vocês a atuarem em diversas frentes?

Quando montei o meu primeiro coletivo, o Na Humilde Crew, que era um esboço do que viria a ser a Laboratório Fantasma, nós já fizemos algumas camisetas pra vender. Ali não existia “A Rua é Noiz”, nem “I Love Quebrada”, nem nada disso. Isso de vender camisetas e outros artigos atrelados à nossa música tem a ver com as pessoas quererem mostrar sua identificação, como se fôssemos todos parte de algo maior que nos une. O hip hop sempre foi um movimento que viu sua música ligada de alguma maneira à moda, ao jeito de se vestir das pessoas que dele fazem parte, então tem esse lance estético e o fato de sempre termos sido marginalizados. Já disse algumas vezes que quando vejo nas ruas alguém com um produto Lab Fantasma, penso “ali vai um dos nossos”. Acho que o que nos motivou foiessa percepção.

A Laboratório Fantasma também realiza eventos, como o show “Estilo Livre”, realizado em 2012. Vocês tem em mente algum evento maior?

Sempre temos, mas não vamos sair atirando pra todo lado sem ter certeza de que há como fazer. Em 2013, tínhamos dois projetos grandiosos e que sabíamos que tomariam muito o nosso tempo, que eram o disco do Rael e o meu. No nosso planejamento anual não cabia um evento maior, mas com certeza está na lista.

Em entrevista à revista Brasileiros, você disse que não gosta de ser chamado de empresário. Por quê?

Não é que eu não gosto, mas eu sou músico, tenho uma empresa de música. Meu irmão, Evandro Fióti, é empresário, exerce essa função com muita competência. Acho que só vou me ver realmente como um empresário quando conseguir parar pra me dedicar 100% a isso. Não me vejo fazendo isso agora.

Quais são seus planos para a Laboratório Fantasma atualmente?

Continuar trabalhando pra conseguir espalhar nossa música da forma que acreditamos a cada vez mais pessoas.

 

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