Saiba mais sobre o país africano, Moçambique

 

TEXTO e FOTOS: Eduardo Vessoni | Adaptação web: David Pereira

Ponta Torres, uma das praias de Inhaca, ilha principal de um pequeno arquipélago a 15 minutos de Maputo, capital de Moçambique | FOTO: Eduardo Vessoni

Ponta Torres, uma das praias de Inhaca, ilha principal de um pequeno arquipélago a 15 minutos de Maputo, capital de Moçambique | FOTO: Eduardo Vessoni

Navegar é preciso (e sobre este assunto os portugueses conhecem muito bem). Mais do que redesenhar fronteiras durante o período das grandes navegações que aconteceram em mares furiosos ao redor do mundo, a partir do século 15, Portugal provou que tinha inclinação por paraísos terrestres além-mar e desenvolveu certa capacidade em ocupar territórios que se tornariam, décadas mais tardes, em cobiçados destinos turísticos de veraneio. Na lista, figuram nomes como as brasileiras Salvador e Rio de Janeiro, e países do continente africano como a Ilha Maurício, Namíbia e África do Sul. Mas foi durante as incansáveis viagens à procura do caminho mais rápido para as especiarias das Índias que aqueles pioneiros navegantes portugueses encontrariam mais um lugar para incluir em sua relação de destinos conquistados: Moçambique.

O país ainda tenta consertar os estragos deixados por uma guerra violenta que assolou cidades e as isolou do mundo, entre 1977 e 1992, mas quem chega àquelas antigas terras de povos ancestrais encontra um país de paisagens impactantes disposto a se abrir para o mercado turístico. Praias selvagens, ilhas protegidas e arquipélagos distantes são alguns dos cenários que fazem deste destino banhado pelo oceano Índico uma das maiores surpresas do sul do continente africano.

A incansável capacidade de se reerguer e se adaptar a novos tempos parece ser a característica mais marcante daquela gente. O país já serviu de território para os povos bosquímano, conhecido como os caçadores do bosque, e bantu, os guerreiros responsáveis pela saída dos primeiros, durante as grandes migrações que aconteceram na região entre os anos 200 e 300 d.C. Entrepostos comerciais administrados por árabes suaíli também tiveram seu lugar na costa moçambicana, entre os séculos 9 e 13, onde eram realizadas trocas por produtos do interior, como ouro e marfim.

70% da população do arquipélago de Bazaruto vive da pesca artesanal | FOTO: Eduardo Vessoni

70% da população do arquipélago de Bazaruto vive da pesca artesanal | FOTO: Eduardo Vessoni

No entanto foram os portugueses os que deixaram as marcas mais permanentes naquelas terras. Em 1497, Vasco da Gama desembarcou por ali pela primeira vez e, nas décadas seguintes, a história começou a se repetir como nas outras colônias ultramar estabelecidas por portugueses: convenientes trocas de mercadorias no litoral, conquistas militares interior adentro e domínio daInhaca é uma das ilhas de uma região declarada Reserva Florestal e Marinha, situada na entrada da Baía de Maputo comercialização de ouro, marfim e mão de obra escrava levada para destinos como Brasil, Madagáscar e Golfo Pérsico.

Até hoje, a capital de MoçambiqueMaputo tem na Europa sua maior referência. É nesta cidade de pouco mais de um milhão de habitantes e trânsito caótico que o viajante encontra atrações que fazem uma nostálgica referência aos anos de administração europeia, cujo processo de ocupação portuguesa só estaria concluído no início do século 20.

No roteiro histórico, o visitante conhece a Casa de Ferro, obra projetada e levada ao destino pelo mesmo engenheiro responsável pelo cartão-postal mais famoso de Paris, a Torre Eiffel; a Sé Catedral, templo católico inaugurado em 1944 em forma de cruz na Praça da Independência; construções em estilo português como o Jardim Botânico de Tunduru e o Museu de História Natural; e o terminal ferroviário conhecido como Estação do Caminho de Ferro, declarada pela revista Newsweek como uma das mais belas do mundo. Isso sem falar das confeitarias típicas lisboetas do centro da cidade e seus inconfundíveis pastéis de nata.

 

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