Saiba mais sobre o Candomblé Angola, uma das religiões de matriz africana

 

TEXTO: Oswaldo Faustino | FOTO: Reprodução | Adaptação web: David Pereira

Ilza Rodrigues, a Mameto Mucalê está à frente do reino angoleiro chamado Unzó Matamba Tombenci Neto | FOTO: Reprodução

Ilza Rodrigues, a Mameto Mucalê está à frente do reino angoleiro chamado Unzó Matamba Tombenci Neto | FOTO: Reprodução

 

Era o ano de 1985 quando Clementina de Jesus gravou com Martinho da Vila a composição dele cujo refrão diz: “Eu não quero essa vida assim não, Nzambi / Ninguém quer essa vida assim não, Nzambi...”. Para muitas pessoas, essa música proporcionou a primeira oportunidade de ter contato com a palavra Nzambi, originária da língua Kimbundo. Possivelmente, a maioria nem chegou a saber que a canção se refere à divindade maior do povo Bantu, também chamada de Nzambi Mpumngu, que no Brasil é cultuado pelas nações Angola e Kongo/Angola do Candomblé, uma das mais antigas e maiores religiões afro-brasileiras.

O Candomblé da nação Ketu, do grupo étnico yorubá, quecultua os orixás, também chamado Jeje-Nagô, é originário daregião do antigo Reino do Daomé, atual Benin, e parte da Nigéria. Popularizou-se e se tornou midiático e hegemônico por vários motivos, dando a impressão de que fosse único. Com o fim da perseguição institucional às religiões de matriz africana – apesar de se manterem as agressões e preconceitos por parte de grupos intolerantes – foi possível conhecermos outras formas de culto, herdadas dos antigos escravizados.

Abaixo de Nzambi, os angoleiros, como se denominam os fiéis do Candomblé Angola, cultuam os inkisis (ou minkisi, também chamados jinkisi), que são representantes das forças da natureza. Seus devotos rezam, cantam e se comunicam com palavras originárias das línguas Kimbundo e Kikongo. Seus sacerdotes são os tatas e as sacerdotisas, as mametos. A pessoa iniciada, que no Keto chama-se iyawô, no Angola é muzenza. A mais tradicional casa angoleira do Brasil foi fundada em Salvador por Maria Genoveva do Bonfim, a Mameto Tuenda dia N’Zambi, conhecida por Maria Neném. Em São Paulo, na cidade de Itapecerica da Serra, há uma casa que é sua herdeira, a Kua Dianda Inzo Ia Tumbansi Tua Nzambi Ngana Kavungu, dirigida por Walmir Damasceno, o Tata Takuvanjensi.

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