Conversa Preta: Programa debate racismo na TV

Estreia neste sábado (15), o programa especial Conversa Preta, que será exibido na Rede Bahia (afiliada da Rede Globo) logo após o Jornal Hoje. Trata-se de um espaço pensado por pessoas negras para discutir, ouvir e fomentar debates sobre o racismo e seus moldes estruturantes. O programa será exibido durante três sábados, e contará com grandes participações especiais.

A atração será apresentada por pessoas negras, repórteres da emissora, que irão facilitar o diálogo e entrevistar convidados, para que a partir de um debate multidisciplinar, possam ajudar a construir uma sociedade antirracista e igualitária. Aldri Anunciação assume o comando, dividindo com outros profissionais, Georgina Maynart (dia 15), Vanderson Nascimento (dia 22) e Luana Assiz (dia 29). Contará também com matérias de repórteres como Luana Souza, Pablo Vasconcelos, Lucas Almeida, Tiago Reis, Muller Nunes e Joyce Guirra; as reflexões bem-humoradas sobre racismo da atriz Patrícia Rammos; bate-papo com intelectuais, ativistas e personalidades baianas; além de homenagens a pessoas negras que são referência na sociedade.

A direção é de Mira Silva, uma das poucas mulheres negras em posição de gestão e criação na televisão brasileira. Mira efetua trabalhos como jornalista, produtora cultural, roteirista, curadora, diretora e está há mais de 20 anos na televisão baiana. “A concepção do programa começou em outubro do ano passado, depois de uma reunião com lideranças negras de Salvador, na Rede Bahia. O especial é produzido, dirigido e apresentado exclusivamente por profissionais pretos. A cidade de Salvador é 80% negra e, ainda assim, parece que somos invisíveis. Queremos mostrar que essa população existe, é atuante, é criativa, está em diversas áreas do conhecimento. A sociedade precisa entender que o racismo é um problema estrutural e precisa ser combatido”, afirma a jornalista.

A direção é de Mira Silva

Oito em cada dez baianos se autodeclaram pretos ou pardos, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2019. Ainda assim, o racismo está diariamente presente no cotidiano da população e a cor da pele é o principal fator na construção das desigualdades.

Ações como essa demostram que é preciso garantir o real protagonismo das pessoas negras para, de fato, contribuir ao enfrentamento do racismo e das demais matrizes produtoras das desigualdades, que de modo interseccional, agravam a experiência da desigualdade. As redes de televisão brasileiras, historicamente são grandes responsáveis por determinar padrões de desigualdade e produzir estereótipos sobre a população negra brasileira e, para que possam contribuir nas ações de reparação, a autonomia e o protagonismo precisam ser garantidos, além de apoio e segurança em amplo sentido, para que os resultados aconteçam com dignidade.

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Mulher Negra, Feminista e como Designer de Moda Autoral elabora produtos e imagens de moda a partir de reflexões sobre as relações étnico-raciais e de gênero. Professora Adjunta do Bacharelado em Estudos de Gênero e Diversidade - FFCH – UFBA e Doutoranda no Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade – IHAC – UFBA, pesquisa a relação entre Moda e Ativismo Político

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