Adilson Lúccio foi o mais perfeito cover de Tim Maia

 

Texto: Oswaldo Faustino | Foto: Divulgação | Adaptação Web Sara Loup

 

Cover do Tim Maia | Foto: Divulgação

Cover do Tim Maia | Foto: Divulgação

A imagem lembrava o cantor carioca. A voz, também! Quem ouvia os jingles da Dumont e da Parmalat, jurava que era o Tim cantando, mas era cover.Os amigos os chamavam de “Bola”. Seu nome, porém, era Adilson Lúccio, reconhecido pela crítica e pelo público como a mais perfeita performance cover do Brasil, em 1993/94.

Aos três anos, antes de saber ler e escrever, ele já estudava música, orientado pelo pai, o saxofonista, maestro e arranjador, Adollar Lúccio, que morreu quando o filho tinha 12 anos. O tio Sandoval assumiu essa missão, até que Adilson ingressasse, nos anos 70, na Orquestra Filarmônica Infantil do Estado de São Paulo.

Bola integrou ainda vários conjuntos de baile em que, vez por outra, imitava Tim Maia, e decidiu fazer carreira de cover do artista à frente da banda Verdes Mares, que trazia no backing vocal os irmãos Célia e Celinho Cipriano, do grupo Fat Family. A obesidade matou Adilson Lúccio, em novembro de 1998, época em que tocava na orquestra do programa do Ratinho, no SBT, meses depois da morte de seu ídolo Tim Maia. Sua mãe, Narcisa morreu um mês depois.

Toda a família Lúccio era musical. Os irmãos do saxofonista Adollar, pai de Adilson, também eram músicos: Sandoval tocava trompete e acordeom; Lázaro, clarineta; e John, piano. E o jazz compunha a trilha sonora de suas vidas. Nos anos 50 eles montaram, na Vila Mariana, a boate Sabará, onde recebiam e acompanhavam grandes nomes do mundo do jazz. Adollar também atuava na orquestra da TV Record, onde foi diretor musical e tocou com Louis Armstrong, Booker Pittman, Charlie Shaves, Stan Getz, Bill Haley, Sarah Vaughn, Nat King Cole, Ella Fitzgerald, Ink Spots. Roy Rogers, Brenda Lee, Chubby Checker, entre outros.

A boate Sabará foi fechada em 1956, por ordem do então governador Jânio Quadros. Minha amiga, a arquiteta Sandra Luccio, irmã do Bola, e única sobrevivente da família, já não brinca mais ao piano e lembra da decepção do pai por ter ouvido de Jânio que “lugar de negrinhos é trabalhando e produzindo, e não dançando em boates de bairro nobre.’’O curioso é que o governador também era frequentador da Sabará.

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