Embaixada brasileira em Washington tem três embaixadores negros

Pela primeira vez, três diplomatas negros de carreira ocupam postos na embaixada brasileira e na missão Brasil na Organização dos Estados Americanos, de acordo com o Globo

É a primeira vez que três negros de carreira ocupam diferentes funções em Washington. Segundo o jornal O Globo, Marise Ribeiro Nogueira, 56, Jackson Luiz Lima Oliveira, 51, e Ernesto Mané Júnior, 38, ambos negros, estão trabalhando na embaixada em uma das capitais mais estratégicas para o Itamaraty e na missão do Brasil na Organização dos Estados Americanos (OEA).

Os três entraram no Itamaraty através do Programa de Ação Afirmativa (PAA), coordenado pelo Instituto Rio Branco. O programa foi criado em 2002 e é o primeiro de inclusão racial da Esplanada dos Ministérios como resultado dos compromissos assinados pelo Brasil na III Conferência Mundial Contra o Racismo, ocorrida em Durban, na África do Sul, no ano de 2001. Os candidatos acessam o programa por meio de concurso público e o selecionados recebem uma bolsa anual de R$ 30 mil para arcar com os custos de preparação para o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD).

Marise Nogueira é a primeira bolsista beneficiada pelo Programa de Ação Afirmativa aprovada no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD). A diplomata é filha de um torneiro mecânico e de uma agente administrativa. Nogueira é formada em medicina, estudou inglês, francês e fez mestrado, depois de conseguir a bolsa ela intensificou os estudos para prestar o concurso, reduzindo a jornada de trabalho. Marise Nogueira é conselheira na embaixada em Washington.

Nascido em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, Jackson Lima decidiu trocar a profissão de professor de português/inglês, em Salvador. O diplomata utilizou os recursos da bolsa para pagar professores particulares de Economia para garantir uma boa classificação no concurso.

Jackson serviu por quatro anos na Nigéria e Zâmbia, além de ter atuado como assessor no Departamento da África no Itamaraty. Atualmente, ele trabalha na Organização dos Estados Americanos (OEA), tratando sobre temas de desenvolvimento integral, além de realizar um curso de mestrado na Universidade George Mason sobre paz e resolução de conflitos.

Ernesto Mané Júnior é filho de um imigrante do Guiné-Bissau com uma brasileira, o diplomata é natural de João Pessoa, na Paraíba, e é Doutor em Física Nuclear pela Universidade de Manchester, no Reino Unido. Ele ingressou na carreira diplomática há sete anos e foi designado para trabalhar no setor político da embaixada localizada em Washington na área de desarmamento e não-proliferação de armas de destruição em massa. Mané Jr. também atua no acompanhamento de segurança dos EUA para a região da Ásia-Pacífico.

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