Conheça o enredo do filme "Vidas Cruzadas", película com temática afro-americana

 

TEXTO: Oswaldo Faustino | FOTO: ©2011-DreamWorks/Touchstone PicturesseIffert | Adaptação web: David Pereira

Cena do filme "Vidas Cruzadas" | FOTO: ©2011-DreamWorks/Touchstone PicturesseIffert

Cena do filme "Vidas Cruzadas" | FOTO: ©2011-DreamWorks/Touchstone PicturesseIffert

De tudo que acontece na vida, há pelo menos uma lição a se tirar. Até mesmo dos enlatados que Hollywood espalha pelo mundo, como “The Help”, película de 2011 do diretor Tate Taylor, que aqui ganhou o título de “Vidas Cruzadas”, e que as tevês por assinatura têm exibido repetidas vezes. Afinal, trata-se de um tema relacionado com os afro-americanos, nossos irmãos de diáspora. “The Help” é baseado no romance homônimo, da escritora norte-americana Kathryn Stockett, lançado aqui pela editora Bretrand Brasil com o título de “A Resposta”, e que já vendeu, pelo mundo afora, mais de cinco milhões de exemplares.

Outra razão para darmos um pouco de atenção ao enredo é o fato de a protagonista Aibileen, vivida por Viola Davis, ser uma babá que criou muitos filhos de patrões e perdeu o próprio. Milhares, se não milhões de nossas meninas negras, desde os tempos da escravidão, iniciaram suas “vidas profissionais” ainda na infância, como babás, e vivem realidade semelhante à apresentada pelo filme, ou até pior. Não exaltamos, porém, o mito da “mãe preta”.

A babá Aibileen vive no Mississippi dos anos 1960, local onde os brancos não se dão conta de que a escravidão em seu país fora abolida em 1863. A segregação institucionalizada e o comportamento racista ganham tal naturalidade que é impossível não se irritar com as “dondocas” reunidas para o chá e fofocas, sobejamente presentes nesse filme.

Mas Hollywood é Hollywood. Mesmo a mulher negra sendo protagonista, a heroína tem de ser uma mulher branca. Cabe à atriz Emma Stone o papel de Skeeter, a bondosa e frágil caucasiana que, além de solidariedade à causa dos direitos civis do povo negro, se propõe a lutar contra o american way of life, representado pelas vizinhas. Ela é movida pela lembrança de sua babá negra, a quem teve grande afeição, que lhe deu os primeiros ensinamentos e que foi arrancada de sua vida por sua mãe prepotente, dona de um comportamento racista exatamente igual ao das demais.

Skeeter se aproxima de Aibileen e da expansiva cozinheira Minny (Octavia Spencer). Impressiona-se ante as histórias de humilhações, abusos e opressão, e decide escrever um livro com depoimentos de várias domésticas negras. Vencida a resistência de algumas, temerosas em perder o emprego, se iniciam os relatos, ante a promessa de que não se identificará as depoentes nem a localidade em que os fatos ocorreram.

Nenhuma das histórias, porém, se compara à de Minny que, no auge dos maus-tratos, se vinga, servindo à patroa uma torta recheada com suas fezes. Literalmente, a vingança foi um prato comido frio e, o pior, elogiado pela comensal. Não é o melhor filme a denunciar o racismo, mas vale a pena!

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