Confira trechos da entrevista com Fabrício Boliveira, que viveu o personagem João de Santo Cristo na adaptação cinematográfica de Faroeste Caboclo

 

TEXTO: Amilton Pinheiro | FOTOS: Carol Beiriz | Adaptação web: David Pereira

Entrevista com o ator de Faroeste Caboclo | FOTO: Carol Beiriz

Entrevista com o ator de Faroeste Caboclo | FOTO: Carol Beiriz

Veja trechos da entrevista com o Fabrício Boliveira, ator de Faroeste Caboclo.

Você tem uma formação em teatro e participou de algumas montagens quando morava em Salvador. Essa experiência no palco lhe deu mais confiança quando decidiutentar a carreira no Rio de Janeiro?

Eu fiz uma faculdade de Teatro clássico, a escola de Teatro da UFBA, que me trouxe muita experiência da história do Teatro mundial. Pude conhecer Brecht e todo o seu teatro revelador e político; professores como Luiz Marfuz e Cleise Mendes; e fiz amigos muito importantes para minha formação profissional e pessoal. Éramos um grupo de seis, e hoje percebo que tenho um pouco de todos eles nas minhas criações e nas minhas escolhas na vida. Então, depois de toda essa formação, me sentia preparado pra trocar não só com um novo mercado como com uma nova cultura.

Como você enxerga o papel social do ator, que hoje parece que perdeu o foco e a importância?

Me sinto como catalisador e comunicador de desejos e anseios de muitos. Temos que estar ligados diretamente com o hoje para melhor contar uma história... Saber pra quem está falando, onde e quando se está contando. É importantíssimopro diálogo entre ator e público.

De formação clássica em Teatro, o ator desenvolveu diversos trabalhos, tanto nos palcos, quanto no cinema e na televisão | FOTO: Carol Beiriz

De formação clássica em Teatro, o ator desenvolveu diversos trabalhos, tanto nos palcos, quanto no cinema e na televisão | FOTO: Carol Beiriz

Você fez pequenas participações no Cinema nos filmes Tropa de Elite, de José Padilha e 400 Contra 1, de Caco Souza, mas Faroeste Caboclo, de Renè Sampaio, é seu primeiro papel de destaque, fazendo o protagonista João de Santo Cristo. Você se sentiu intimidado quando soube que tinha sido o escolhido para viver este personagem?

Me sentia preparado pra assumir a responsabilidade de ser o condutor da história. Já tinha mais de 10 anos de carreira e tive uma experiência intensa no [filme] 400 contra 1, apesar de não ser protagonista, levava a históriatambém e tinha cenas muito importantes. Sei da oportunidade rara que é um ator negro fazer um protagonista nesse país e pude contar com uma equipe e um diretor que me respeitavam muito como criador.

Como você vê a ascensão da classe C no mundo do consumo e não no mundo da cultura?

Fiquei muito chocado quando vi no ano passado a capa de uma revista que dizia que os brasileiros estavam mais felizes porque consumiam mais. Acho estranho aliar felicidade e sonho à obtenção de coisas materiais. Quem não tem uma TV HD ou carro, ou um iphone, deve se considerar menos feliz? Agradeço por poder me alimentar de arte, saudade, de um bom papo ou um silêncio a dois.

Qual sua expectativa em relação à carreira do filme Faroeste Caboclo?

Fiz um filme num processo que acredito muito: horizontalidade nas relações e coletividade. Amaria combinar esse lindo processo com um resultado de sucesso. Me mantém esperançoso para as próximas empreitadas.

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