A Revista Raça entrevistou o grupo Os de Paula, formado pelos filhos do músico Netinho de Paula

 

TEXTO: Daniel Keny | FOTO: Divulgação | Adaptação web: David Pereira

O grupo de pagode Os de Paula | FOTO: Divulgação

O grupo de pagode Os de Paula | FOTO: Divulgação

Hoje, uma nova geração de cantores ocupa o espaço que a mídia abre ao pagode, um dos ritmos mais adorados do nosso país. Desta geração fazem parte Os de Paula, grupo formado por Levi, Dudu e Dika, filhos de Netinho de Paula, ex-líder do Negritude Júnior. Apesar de ainda estarem ligados à imagem do pai, os garotos não encaram o vínculo de forma negativa. “Existe uma cobrança, mas é natural e essencial pro nosso trabalho. É difícil se desvincular da imagem do nosso pai, e a gente nem quer, respeitamos e somos fãs dele. Foi por isso que decidimos montar o grupo, tendo ele como exemplo dentro de casa. As comparações vão sempre existir, o que a gente faz é convidar as pessoas para irem ao nosso show para que possam nos ouvir e tirar as próprias conclusões”, diz Levi, principal compositor e porta-voz do grupo.

O trio pode ser encaixado na categoria pagode, mas a verdade é que o som destes meninos não deveria ser rotulado, já que fazem uma mistura interessante de samba, R&B e funk americano. Após dois CDs lançados e mudanças na formação, eles parecem ter finalmente encontrado o equilíbrio que precisavam para atingir o grande sonho. “A gente quer atingir o maior patamar da música. Estamos nos preparando pra isso, temos uma equipe que acredita no projeto e temos em comum essa vontade de chegar muito longe e de mostrar para todos o trabalho d’Os de Paula”, afirma Dudu.

Veja trechos da entrevista com Os de Paula

Como era a convivência de vocês lá na infância? Sonhavam em fazer sucesso juntos?

Levi: O gosto pela música foi algo que desde cedo nos uniu. O Dudu canta muito bem, eu já venho mais da parte instrumental, aprendi muito com os meus tios e com o meu pai, que no começo da carreira era instrumentista, antes de ir cantar no Negritude Jr. Quanto ao sonho de viver da música, na infância ainda não era algo que a gente tinha como plano. Era mais um hobby de família. O negócio foi ficando mais sério na época do colégio, quando todo mundo vai tomando um rumo, cada um escolhe uma carreira e tal. Nessa época o Dika e eu já tínhamos um grupo que tocava nas festas dos amigos e da família, depois as coisas começaram a amadurecer.

Quando vocês decidiram que deviam montar um grupo?

Levi: Com 14 anos comecei a acompanhar o Negritude. Ali, brincando com instrumentos, vendo o palco, decidi que queria ser músico. O Dika também acompanhava e participou disso, já o Dudu, ainda era muito pequeno. Mas logo percebemos a musicalidade dele. Nessa época o pagode começava a se popularizar nas classes de elite, entre os universitários, com grupos como Inimigos da HP e Jeito Moleque.

Vocês já sofreram algum tipo de preconceito por serem negros ou por serem filhos de um artista consagrado?

Levi: Por sermos negros, todos os dias. Mas não podemos reclamar da vida que temos. Com todo sucesso que o nosso pai fez, ele pode proporcionar coisas maravilhosas pra gente. Estudamos em escolas particulares, pudemos morar fora... Oportunidades que a maioria dos negros não tem. Só que nessas escolas sofremos preconceitos por sermos, às vezes, o único negro da sala ou da escola. Nosso pai sempre nos passou essa luta, de que temos que estudar, ter cultura e acima de tudo sermos iguais. O curioso é que, na música, na arte, sempre deixaram o negro participar. Inclusive costumam falar que os negros dançam melhor, tocam e cantam bem demais etc. Mas na política ou em cargos de chefia dentro das empresas, por outro lado, não temos espaço. Gostaríamos ver mais negros políticos, negros médicos, doutores, ocupando cargos altos.

Qual é o maior sonho dos de Paula? 

Dudu: São muitos! Mas a gente quer atingir o maior patamar da música. Estamos nos preparando pra isso, temos uma equipe que acredita no projeto e temos em comum essa vontade de chegar muito longe e mostrar pra todos o trabalho d’Os de Paula.
Levi: a gente sonha alto. Gostaria de tocar no mundo todo, ser respeitado musicalmente, e é por isso que a gente ensaia e estuda tanto.

 

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