Em nossa matéria de capa conheça os novos estilistas negros do Brasil

 

TEXTO: Sara Lee | FOTOS: Legiane Braga | Adaptação web: David Pereira

Bruna Battys, Hamilson Nascimento e Jordana Rosa, a nova geração de estilistas | FOTO: Legiane Braga

Bruna Battys, Hamilson Nascimento e Jordana Rosa, a nova geração de estilistas | FOTO: Legiane Braga

 

Nos últimos anos, apostar na moda brasileira tem sido um ótimo negócio com um excelente reconhecimento internacional, porém, devido à crise financeira que se instalou, principalmente na Europa e nos Estados Unidos, as exportações de roupas e acessórios caíram consideravelmente. O lado positivo é que o mercado interno se fortaleceu e se tornou mais competitivo. A diversidade cultural existente no Brasil é a grande responsável por esse aquecimento, gerando milhares de empregos diretos e indiretos, e movimentando a economia. O Senac Rio, por exemplo, é considerado a maior bolsa de negócios de moda da América Latina, e São Paulo está no ranking das 10 principais cidades do mundo em relação à moda.

Por aqui, as criações não param de surgir, sempre com muito estilo e aquela criatividade que só o brasileiro tem. RAÇA BRASIL quis saber como anda o mercado da moda para os novos estilistas negros. Quem são eles? Antenados com o mundo moderno, Hamilson, Jordana e Bruna são três bons exemplos de renovação nesse cenário. Eles vêm cheios de garra (e criatividade) para vencer no concorrido cenário fashion e, principalmente, fazer com que suas criações ganhem as ruas e a preferência de pessoas que fazem questão de estarem na moda sem perder a personalidade e as raízes culturais.

Veja o que os novos estilistas negros responderam sobre alguns temas do mundo da moda.

INTERESSE POR MODA

Bruna Battys: Quando criança, brincava de desenhar e vender roupas. Com o tempo senti mais necessidade de entender sobre moda, quando eu ia para as festas, gostava de me vestir com peças e tecidos diferenciados. Pegava da minha mãe algumas roupas dos anos 80 e 90, criava algo em cima e todos perguntavam onde eu tinha comprado. Percebi que este era meu verdadeiro dom, o de criar!

Hamilson Silva: Sempre me interessei por moda, mas resolvi adotar como profissão aos 11 anos. A princípio, queria apenas trabalhar com moda festa. Hoje em dia também, mas quero agora explorar outras áreas como consultoria, produção e design de acessórios.

Jordana Rosa: Comecei a me interessar por moda quando não achei um vestido de 15 anos para a minha festa e desenhei para a minha avó confeccionar. Desde então, me interessei em ler revistas e pesquisar na internet até fazer o meu primeiro curso na área de moda, quando estava no terceiro ano do ensino médio.

PANORAMA DO MERCADO ATUAL

Bruna Battys: A moda vem crescendo gradativamente e as oportunidades de empregos na área estão melhorando para alguns grupos. Hoje existem pessoas que, mesmo sem formação, montam seu micro-negócio, sua confecção. Existem muitas grifes boas, criadas por negros talentosos espalhadas pelo Brasil, porém, nos eventos de moda ainda existe uma barreira para ser quebrada. São sempre as mesmas marcas e sem muita inovação. A nova geração não tem oportunidade, principalmente os estilistas negros. Se for com modelos negros, então! Quanto aos grandes desfiles, acredito que ainda há uma cópia dos desfiles de fora, portanto, temos que explorar mais o nosso país, a nossa beleza, a raiz, buscar mais identidade e personalidade em nossas criações, assim como Romero Britto faz em suas artes.

Hamilson Silva: O mercado de moda vem crescendo bastante, criando uma identidade própria e se desligando cada vez mais da moda europeia. É claro que ainda falta muito para chegarmos ao estado de referência mundial, como Paris e Nova York, mas estamos no caminho. Em relação a oportunidades para negros, há menos chances, da mesma forma que em outras áreas. Um estilista negro gera espanto, sim, e é muito mais difícil para as pessoas aceitarem um estilo étnico que algum outro alternativo. Nós temos muita dificuldade também em apresentar conceitos. Os grandes desfiles vão mudar de acordo com a forma que a moda brasileira vai evoluindo.

Jordana Rosa: O mercado nacional é restrito, assim como todo o mercado de moda. É importante se relacionar bem com o pessoal da área, se destacar pelo seu talento e explorar todas as oportunidades. Quanto às oportunidades para os negros, tudo é uma questão de buscar uma boa formação e ser competente. O mercado é para todos, mas sem estudo não se chega a lugar algum.

O QUE PODE MELHORAR NO MERCADO DA MODA

Bruna Battys: Deveriam existir leis de incentivo à produção de moda para os jovens profissionais que queiram se destacar no mercado, cursos gratuitos para quem não tem condições de pagar uma faculdade e mais oportunidades de trabalho, além de eventos de moda em que todos possam entrar sem restrição. Quanto aos professores, uma maior atenção aos alunos de outras etnias, apresentando referências para fortalecer a ancestralidade e a personalidade de cada um em suas criações.

Hamilson Silva: Acredito que pra melhorar ainda mais é preciso que o mercado se abra. A moda precisa incluir pessoas de classes mais baixas, com menos renda, para que esse público não apenas compre roupa, mas consuma mais moda, mais tendência. As lojas de departamento direcionadas à classe D têm grande papel nesse aspecto. Naturalmente, crescendo o nicho de mercado, as oportunidades aparecem.

Jordana Rosa: O mercado da moda é bem concorrido. As oportunidades de estágio e primeiro emprego na área são sempre difíceis, como em qualquer outra. Mas elas sempre podem melhorar, né? Mas não é fácil conseguir um bom estágio na área.

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