Revista Raça Brasil

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Exposição sobre Carolina Maria de Jesus abre as portas neste sábado, 25

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Rachel Quintiliano

Editora do Portal Raça. Jornalista e escritora com quase 30 anos de experiência, tanto na comunicação corporativa quanto da imprensa, especialmente imprensa negra. Autora do livro ‘Negra percepção: sobre mim e nós na pandemia’. É responsável por planejar os conteúdos do portal, assegurando a linha editorial e estratégia narrativa do grupo RAÇA.

Curadoria busca apresentar Carolina Maria de Jesus para além do best seller, “Quarto de Despejo” e promete a construção de uma narrativa que coloca a escritora, negra brasileira, como uma inquestionável cronista do Brasil e dos brasileiros

A exposição, “ Um Brasil para os brasileiros”, a ser inaugurada no próximo dia 25 de setembro, em São Paulo, busca apresentar as muitas faces da Dra. Maria Carolina de Jesus (1914-1977), que mesmo tendo ficado conhecida mundialmente com a obra “Quarto de Despejo (1960)”, tem muito mais para contar, por meio da literatura e da música. 

Depois de mais de dois anos de pesquisa, os curadores e a equipe técnica envolvida na produção da exposição reuniram mais de 300 itens, divididos em 15 núcleos temáticos que ocupam dois andares inteiros e outras áreas do Instituto Moreira Salles, local que abriga a exposição. 

Entre os achados está o manuscrito que deu origem ao livro, “Diário de Bitita”, publicado no Brasil em 1986. Esse é umas das produções mais significativas da autora, pela análise acurada do país e também uma prova de como sua produção foi tratada ao longo dos anos, sofrendo alterações e edições que a afastaram de seu conteúdo original. Segundo os organizadores da mostra, esse livro tinha como título original, “Um Brasil para os brasileiros” e expunha o olhar da autora sobre sua própria vida na infância e juventude em um contexto de pós-abolição da escravatura (1888). 

Segundo os responsáveis pela mostra, em “Um Brasil para os brasileiros, a autora elabora narrativas biográficas e autoficcionais ao rememorar sua infância, apresentando pontos de vista de personagens que foram apagadas das narrativas oficiais escritas, majoritariamente por autores  homens e brancos. Carolina faz assim, um interessante contraponto aos cânones literários vigentes no Brasil”. 

Afora os manuscritos que estarão presentes em diversos formatos ao longo da exposição, as fotos foram organizadas para ressignificar a imagem, em alguma medida pejorativa, da Dra. Carolina Maria de Jesus, veiculada com frequência pela mídia. A proposta inclui a exibição de imagens dela em momentos altivos como quando estava embarcando em 1961 para o Uruguai para lançar seu primeiro livro ou ao lado da família em um programa de televisão e até mesmo na redação de um renomado jornal. Um retrato também foi encomendado ao artista Antonio Obá. 

Os curadores e a pesquisadora da exposição, Hélio Menezes, Raquel Barreto e Fernanda Miranda, respectivamente, contaram com o apoio de um conselho consultivo formado por nomes como da educadora social Bel Santos Mayer, da também escritora Conceição Evaristo, das ativistas e intelectuais, Lúcia Xavier e Sueli Carneiro e da atriz Zezé Motta, entre outras pessoas. 

A exposição é grátis e estará em cartaz até janeiro do ano que vem, no Instituto Moreira Salles em São Paulo. 

Foto: Acervo UH/Folhapress

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