Grife italiana reforça esteriotipos racistas

Redaçãoagosto 3, 20204 min
https://revistaraca.com.br/wp-content/uploads/2020/08/20200803_091103.jpg

Anunciada como uma homenagem ao Brasil e ao movimento tropicalista, a nova campanha da grife italiana Marni acabou como um tiro no pé. As imagens pretendiam celebrar o povo, a cultura e a diversidade do nosso país, mas acabou sendo um verdadeiro mergulho em ideais racistas e que traziam uma abordagem que poderia ser diretamente relacionada com a época da escravidão, reforçando erroneamente uma relação de primitividade e colonização de corpos pretos.

As fotos do brasileiro Edgar Azevedo, dirigidas por Giovanni Bianco, aconteceram em uma praia em Salvador, tinham modelos negros retintos, usando biquínis e sungas e acompanhados de expressões como “clima de selva”, “amuleto tribal” e “descalço na selva”. Em uma das fotos era possível ver um negro usando correntes próximas aos pés, que se assemelhavam com as algemas que eram usadas durante o período de escravatura.

Após diversas acusações e a retirada das imagens das redes sociais, a marca lançou um comunicado com um pedido de desculpas.

“Na Marni, pedimos profundas desculpas pelo dano e ofensa que nossa última campanha causou. O que se pretendia ser uma campanha que celebrava a beleza da cultura afro-brasileira sob a perspectiva do fotógrafo brasileiro Edgard Azevedo veio a bom termo tendo tido o impacto oposto. Nossas fiscalizações ao longo do processo de revisão são inaceitáveis ​​- e, por isso, lamentamos muito.”

“A equipe da Marni está totalmente comprometida em defender a inclusão e celebrar a beleza de diversas culturas em todo o mundo. Enquanto nos esforçamos para criar um mundo mais eqüitativo, através da moda e da humanidade compartilhada, lamentamos sinceramente que nossos esforços tenham causado mais dores”.

“Removemos imediatamente essas imagens e estamos redobrando nossos esforços para garantir que nossos processos sejam realizados com consideração e intencionalidade por meio de uma forte lente de equidade. Toda a nossa equipe está comprometida em usar esse momento como uma oportunidade de alavancar nossa plataforma para apoiar e capacitar mais vozes e criadores de cores, cujos talentos e idEias são fundamentais para criar uma indústria da moda mais inclusiva e diversificada”.

Comentários

Comentários

Redação

https://revistaraca.com.br/wp-content/uploads/2017/08/logo-scaled.jpg

Há 24 anos no mercado, a pioneira e mais antiga publicação negra do Brasil.

Comentários

Comentários