Nesta coluna, Oswaldo Faustino fala sobre a história e a carreira de Toniquinho Batuqueiro

 

TEXTO: Oswaldo Fautino | FOTO: Rui Mendes | Adaptação web: David Pereira

História e carreira de Toniquinho Batuqueiro | FOTO: Rui Mendes

História e carreira de Toniquinho Batuqueiro | FOTO: Rui Mendes

“No dizê de minha avó / sambadô não tem valia / Samba nunca deu camisa / minha avó sempre dizia / Sambadônão vale nada / dorme na calçada / E não cuida da famía...”

Apesar do conselho da avó, nessa bela criação aos moldes do que Mário de Andrade ao longo de seus 82 anos chamou de “Samba Rural Paulista”, o compositor Toniquinho Batuqueiro não lhe deu ouvidos. Sua desobediência e a de tantos outros “sambadores” deram dignidade ao samba paulista e proporcionaram aos mais jovens a chance de ouvir um pouco da história de seu povo.

Da infância no sítio do Pau Queimado, em Piracicaba,onde Antônio Messias de Campos nasceu, em 1929, ficou a memória do tambu (tambor de som grave que se origina a partir de um pedaço de tronco oco, encourado e afinado ao calor da fogueira), instrumento trazidopelos escravos que vinham para trabalhar nas plantações de cana-de-açúcar. Tambu também é a dança, com homens de um lado e mulheres do outro, frente a frente, que cantam e se aproximam. Cada casal ginga os corpos lateralmente e, em seguida, batem os joelhos. Daí seu outro nome de “batuque de umbigada”, uma “dança de respeito”, garantem os “dançadores”. O cururu, uma espécie de repente do interior paulista, mais tarde, deu a Toniquinho Batuqueiro traquejo para improvisar nas rodas de partido alto.

Órfão de pai e de mãe, foi levado por parentes para a capital paulista, onde, nos anos 30, boa parte da população negra era retirada da área central e realocada em regiões mais distantes, como o Parque Peruche, na zona norte, local onde foi morar. Na época, um verdadeiro quilombo. Lá também havia batuques que Toniquinho reproduzia na caixa de engraxate. Na Praça da Sé, se tornou um dos bambas do samba e conheceu outros tantos. Participou da formação da Escola de Samba Unidos do Peruche, e de outras. Não perdia o samba da festa do Bom Jesus de Pirapora. Constituiu família em Osasco, e na capital se encontrava com grandes sambistas, onde se tornou referência histórica. O dramaturgo Plínio Marcos o convidou para cantar e contar histórias do Samba de São Paulo na peça “Balbina de Iansã”, junto comGeraldo Filme e Zeca da Casa Verde, do musical “NasQuebradas do Mundaréu”, no Teatro de Arena. O espetáculo gerou o LP Plínio Marcos em Prosa e Samba -Nas Quebradas do Mundaréu.

Pouco tempo antes de falecer, em 2011, esse membro da Embaixada do Samba lançou seu CD da série Memória do Samba Paulista - que conta com outras sete obras, cinco delas ainda inéditas -, sob direção de T. Kaçula e Renato Dias, um projeto de Kolombolo/Sambatá. As batucadas de Toniquinho com tantos outros bambas certamente não deixam ninguém dormir, à noite, entre as estrelas do céu.
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