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ÍCARO SILVA E LINCOLN TORNADO EM ELIS, A MUSICAL

  • Autor: redação redação

  • Publicado em: 17/10/2016

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Saiba mais sobre a participação dos atores Ícaro Silva e Lincoln Tornado no espetáculo "Elis, a musical"

 

TEXTO: Luciana Reis | FOTOS: Studio Prime e Divulgação "Elis, a Musical" | Adaptação web: David Pereira

Ícaro Silva em cena do espetáculo | FOTO: Divulgação
Ícaro Silva em cena do espetáculo | FOTO: Divulgação

Uma das cenas marcantes do espetáculo "Elis, a musical" é a apresentação do “Potpourri do Morro”, de Elis Regina e Jair Rodrigues, com seis minutos de músicas como “O morro não tem vez”, “Feio não é bonito”, “Samba do Carioca”, “Samba de Negro”, “O Sol Nascerá”, “Diz que fui por Aí”, “Acender as Velas” e “A Voz do Morro”. Na década de 60, a dupla Elis e Jair iniciou a parceria em um show que fez muito sucesso - daí gravaram três discos chamados “Dois na Bossa” e foram contratados pela Rede Record para apresentarem juntos o programa Fino da Bossa, entre os anos de 1965 e 1967. Em “Elis, A Musical”,Ícaro Silva é quem interpreta Jair Rodrigues. Encena, canta, dança e chama o público a participar de sua apresentação ao lado da atriz Laila Garin, que interpreta Elis Regina. Já Lincoln Tornado se transforma em diferentes personagens durante a peça, como o garçom da casa noturna e o cabeleireiro de Elis, sempre levando uma característica diferente a cada um deles, além de substituir Ícaro na interpretação de Jair. Em entrevista à Raça, os atores descrevem suas trajetórias, falam dos projetos futuros e do processo de quebra de obstáculos como atores negros da nova geração.

Dennis Carvalho declarou, na divulgação do espetáculo, que o processo de criação da peça foi baseado na ideia de formar uma trupe de atores contando uma parte da história da maior cantora do Brasil, uma homenagem feita com muito amor e emoção. As palavras se encaixam bem ao assistirmos às interpretações no musical, que fazem o público vibrar e se envolver, como se estivesse vivendo o período retratado, e frente a frente com grandes nomes da música brasileira. “Elis, A Musical” faz parte de uma trilogia de espetáculos da produtora Aventura Entretenimento, chamada de “Uma Aventura Brasileira”. Ícaro Silva, que já havia participado de outras peças, foi indicado como melhor ator de teatro nos prêmios Cesgranrio e Bibi Ferreira por sua atuação no musical “Rock In Rio”, em 2013, espetáculo também da Aventura Entretenimento e considerado um dos primeiros a apresentar características mais brasileiras. Ícaro ressalta esta mudança, presente no espetáculo em homenagem a Elis e que vem se tornando frequente no cenário teatral do país: “Gosto muito do palco, de fazer teatro, gosto da presença do público, então comecei a estudar e a fazer testes, e o primeiro em que passei foi o do ‘Rock In Rio’, e o que acho mais forte neste espetáculo, assim como em ‘Elis, A Musical’, é que eles têm uma identidade muito brasileira, porque costumávamos importar muitos musicais da Broadway”.

E esta participação dos atores não foi diferente na construção do espetáculo em homenagem a Elis Regina. A intenção não era fazer uma imitação dos representados, mas sim mostrar a força daqueles personagens, como Ícaro ressalta: “O Dennis, desde o início do processo, nos deixou livres para criar. Por exemplo, a Elis enfrentava muito o público dela, se jogava em cada interpretação, era muito visceral, e a Laila Garin, que a interpreta, é assim. Existe esse ponto de intersecção entre as duas. E quando comecei a pensar e a construir o Jair, eu pensei exatamente nisso, onde é que o Jair toca as pessoas. Ele é muito carismático, tem muita ginga e jogo de cintura, então eu fui por esse caminho”.

Um dos personagens de Lincoln Tornado, o garçom do Beco das Garrafas | FOTO: Studio Prime
Um dos personagens de Lincoln Tornado, o garçom do Beco das Garrafas | FOTO: Studio Prime

No processo de construção do personagem, Ícaro trouxe um pouco do Jair Rodrigues ao público, seja em um trejeito característico, ou em uma atitude que tenha ficado marcada, principalmente na cena em que Elis e Jair cantam juntos, representando o período do Fino da Bossa: “Eu comecei a olhar o jeito que ele sambava e a relação que ele tem com as pessoas. Depois eu vi os vídeos em que ele falava da Elis, para entender um pouco a relação deles, porque na peça temos pouco tempo de cena e não tínhamos uma construção cênica da relação dos dois, que eram muito amigos, daqueles amigos cúmplices, que sacaneiam um ao outro. Então foram alguns elementos que encontrei para fazer essa cena, que é icônica na trajetória deles e também no espetáculo”.

Os gestos, a mão espalmada, com as palmas em ritmo diferente da música foram alguns detalhes que Lincoln Tornado, ao substituir Ícaro nas interpretações de Jair, trouxe para o personagem. E além da responsabilidade de interpretar um dos grandes nomes da cultura brasileira, atuar na pele de diferentes personagens também é um desafio a Lincoln: “Quando eu fazia o Jair, o primeiro ato para mim era enlouquecedor. Entrava, saía, e quando voltava era totalmente diferente, como o garçom divertido, que já não podia ser igual ao Jair, assim como não podia ser igual ao personagem do cabeleireiro”.

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