Conheça a história do Largo da Banana

 

Texto: Oswaldo Faustino | Foto: Divulgação

Largo da Banana | Foto: Divulgação

Largo da Banana | Foto: Divulgação

Não! O largo não existe mais. Foi substituído por um viaduto que liga dois trechos da avenida Pacaembu, mas ainda vive na memória de gente que nem o conheceu. O Largo da Banana, na Barra Funda, em São Paulo, era onde negros se reuniam no início do século 20, aguardando a chegada do trem que trazia mercadorias do interior para a capital paulista. O soldo aos carregadores era pequeno, mas ajudava a sustentar a família. Enquanto o trem não chegava, conforme contavam os que lá viveram, jogava-se conversa fora, além de cartas, dadinho ou tiririca (espécie de capoeira), uma roda de pernadas. Quem caía, além da vergonha da queda, pagava tostões ao vencedor.

Foi junto ao Largo da Banana que Dionísio Barbosa fundou o primeiro cordão carnavalesco paulista, o Grupo Carnavalesco Barra Funda que, em 12 de março de 1914, adotou o nome de Cordão Camisa Verde. O livro Escolas de Samba de São Paulo, de Wilson Rodrigues de Moraes (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 1978) nos conta que, no início eram 12 sambistas vestindo calça branca, camisa verde e chapéu de palha, alguns dos quais tocando pandeiros e outros um chocalho de madeira, em que se pregavam tampinhas de garrafas de cerveja.

O primeiro surdo só foi adquirido em 1920, quando o grupo já tinha 60 foliões. A camisa verde era a principal marca dos integralistas e, por isso, ao persegui-los, a ditadura de Getúlio Vargas fechou, em 1939, o cordão carnavalesco, apesar de a maioria nem imaginar o que pregava o líder integralista Plínio Salgado. As atividades só foram retomadas em 1952, quando o grupo mudou seu nome para Camisa Verde e Branco.

O cordão virou escola de samba, com uma história de glórias e lindos sambas e nomes importantes como o da família de Inocêncio Mulata, Dona Sinhá, Tobias, e compositores com Talismã e Ideval, o mestre-sala Delegado, entre muitos outros. Como outras agremiações, hoje passa por dificuldades, mas promete voltar a brilhar na história do samba paulista. Torcemos por isto.

 

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