Medo e fome em tempos de coronavírus, na África

Fernanda Oteroabril 20, 20205 min
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Entre os países em desenvolvimento vítimas do Covid-19, os localizados no continente africano correm contra o tempo para enfrentar uma batalha ainda mais dura: a fome. Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, Dominique Burgeon, Diretor de Emergências da FAO Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, declarou que “o número de pessoas vivendo à margem da linha de fome já era bastante elevado. Nossa preocupação é que esse número cresça devido ao impacto do Covid-19 na segurança alimentar”.

Em fevereiro deste ano, plantações de milho localizadas na África Oriental foram atingidas pelo pior enxame de gafanhotos registrado nos últimos 70 anos, deixando cerca de 20 milhões de pessoas em risco de sofrer insegurança alimentar aguda. A situação pode se agravar ainda mais em decorrência dos efeitos da pandemia em todo o mundo.

“Trata-se de uma questão de solidariedade internacional e de humanidade, mas também de segurança alimentar global” disse o diretor.

 

Evitar erros do passado

Em 2007 por causa da crise financeira global, houve um aumento exagerado nos preços de alguns produtos essenciais como o trigo. Alguns países adotaram restrições de exportação.

“Os preços elevados dos alimentos causaram motins. A comunidade mundial precisa se unir. Podemos evitar a escassez de alimentos se formos capazes de apoiar países vulneráveis de todo o mundo” declarou Amer Daoudi, Diretor do Programa Alimentar Mundial da ONU.

O Programa atende cerca de 100 milhões de pessoas na África, América Latina e Sudeste Asiático.

“Podemos evitar a escassez de alimentos se formos capazes de abastecer países de todo o mundo. Mas se interrompermos a cadeia de abastecimento, a insegurança alimentar chegará definitivamente”.

O PAM está planejando estratégias de distribuição de alimentos para as áreas mais necessitadas através de rotas aéreas. O executivo instou os governantes a garantir que as cadeias de abastecimento alimentar sejam mantidas abertas, mantendo o livre comércio, evitando proibições de exportação de alimentos.

A União Africana debaterá a crise alimentar numa reunião especial com a FAO, na próxima quinta-feira, 23 de abril.

 

Casos registrados

O país africano com maior número de casos registrados até o fechamento desta matéria, em 20 de abril, divulgado pelo Centro Africano de Controle de Doenças é Argélia, com 2.268 casos.

O relatório divulgou existirem mais de 22.313 casos confirmados do novo coronavírus em todo o continente, com vários países africanos impondo uma série de medidas de prevenção e contenção contra a propagação da pandemia.

*Com informações do The Guardian e África News

**Fernanda Otero, 47, Jornalista e Tradutora brasileira, moradora da Irlanda desde 2016.
***Os artigos assinadas não refletem necessariamente a opinião da RAÇA, sendo de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.

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Fernanda Otero

Correspondente da RAÇA na Europa e Africa é Jornalista e Tradutora. Foi selecionada com outros cinco jornalistas brasileiros pela Fundação Thomson-Reuters para um curso sobre os Objetivos do Milênio (2015).

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