Aumenta o índice de negros com Covid-19

Redaçãoabril 29, 20201 min
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O mais recente boletim epidemiológico do Ministério da Saúde indica que aumentou o percentual dos negros (pretos ou pardos) entre os pacientes internados e os mortos por Covid-19. Os dados ainda sinalizam que permanece a disparidade entre o percentual de internações e de mortes entre os negros, o que já foi apontado por especialistas como indício de possível disparidade no acesso ao atendimento.

Segundo os dados mais recentes, na variável raça/cor, os pardos e pretos somavam 37,4% das hospitalizações e 45,2% das mortes. Duas semanas antes, no primeiro balanço do ministério que apresentou o recorte, os percentuais de hospitalizações e de mortes era de respectivamente 23,10% e 32,8%.

A crise provocada pelo coronavírus deverá acentuar também as desigualdades existentes no mercado de trabalho brasileiro, entre homens e mulheres, brancos e negros, de acordo com estudo feito por pesquisadores de uma rede articulada por várias instituições acadêmicas para monitorar o impacto da pandemia no país.

Conforme a análise do grupo, mulheres e negros foram atingidos pela crise em situação mais desfavorável, com vínculos de emprego mais instáveis ou porque trabalham em atividades econômicas que foram mais afetadas pelo avanço da Covid-19 e agora correm maiores riscos de perder emprego e renda.

“Por terem vínculos mais frágeis com seus empregadores, essas pessoas tendem a ser mais prejudicadas pela crise, por causa do potencial de rompimento desses vínculos”, observa o sociólogo Ian Prates, pesquisador do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) e um dos autores do estudo.

Muitos homens e mulheres brancas também sofrerão com a crise, embora tenham vínculos mais estáveis com seu trabalho, porque exercem atividades que foram mais prejudicadas pela pandemia.

“São pessoas menos vulneráveis, mas que mesmo assim talvez não resistam ao impacto da crise atual”, diz Prates. Para estimar o grau de vulnerabilidade da força de trabalho, os pesquisadores analisaram sua composição antes da epidemia, de acordo com o vínculo com o empregador e o setor de atividade, conforme os dados mais recentes publicados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), referentes a dezembro.

Há uma forte correlação entre escolaridade, gênero e raça na distribuição da população ocupada entre os vários grupos de risco, dizem os pesquisadores, mas a crise do coronavírus representa a primeira vez que grupos relativamente mais protegidos, e mais brancos, encontram-se ameaçados também.

No grupo mais vulnerável, formado por trabalhadores informais em serviços não essenciais, a participação de mulheres negras é 64% maior do que na força de trabalho, diz o estudo. A participação de homens brancos nesse mesmo grupo é 36% inferior à encontrada na população ocupada total.

Num grupo que reúne trabalhadores com registro formal e vínculos mais estáveis, empregados em serviços não essenciais, a participação de mulheres brancas é 28% maior do que a observada na força de trabalho, e a de homens negros é 23% inferior à verificada na população em geral.

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