Morre Tony Allen, considerado um gênio para Fela Kuti

Redaçãomaio 1, 20201 min
https://revistaraca.com.br/wp-content/uploads/2020/05/749292457eb1418a23c40aaa91b771d06c-22tony-allen-22.rsquare.w330.jpg

“Sem Tony Allen, não haveria Afrobeat.” Era assim que o muiti-instrumentista Fela Kuti falava sobre Tony Allen, com quem manteve uma promissora parceria musical ao longo de 26 anos. Tony Allen, baterista pioneiro que ajudou a fundar o Afrobeat, um marco do pan-africanismo no século 21, morreu na quinta, 30 de abril, em Paris, na França. A causa ainda não foi revelada.

Autodidata, Allen nasceu na Nigéria e começou a tocar apenas no final da adolescência, logo tornando-se uma referência. Ele revolucionou o modo de tocar o instrumento durante a carreira com a banda Africa 70, de Fela Kuti.

Os dois iniciaram a parceria musical quando faziam parte do circuito de jazz da nação africana. Em seguida, Allen atuou como baterista da banda de jazz Koola Lobitos, transformada mais tarde na Africa 70. No grupo, o músico participou de discos famosos, como Gentleman, de 1973, Expensive Shit, de 1975 e Zombie, de 1976 – todos com os grooves inconfundíveis do baterista.

Para além do trabalho com o Africa 70, o baterista também era conhecido pelas colaborações com Damon Albarn, Paul Simonon e Simon Tong. Os músicos se juntaram em 2006 para tocar no grupo The Good, the Bad & the Queen.

Nos últimos anos, Allen se reconectou às suas raízes do jazz, gravando um EP de homenagem ao seu “herói” Art Blakey e se unindo a Jeff Mills no disco Tomorrow Comes the Harvest, de 2018. No início deste ano, Allen lançou o Rejoice, uma colaboração com o falecido trompetista sul-africano Hugh Masekela.

“Alguns bateristas não sabem o que significa tocar suave, não está no livro deles. Sei que posso fazer minha bateria derrubar a casa, se for preciso. Mas eu sei como torná-lo sutil. Você a ouve fluindo como um rio”, disse Tony, em 2016, ao The Guardian.

https://revistaraca.com.br/wp-content/uploads/2017/08/logo-scaled.jpg

Há 24 anos no mercado, a pioneira e mais antiga publicação negra do Brasil.

Comentários

Comentários