Veja como a novela O Bem-Amado trouxe uma nova reflexão sobre a unidade do povo negro

 

Texto: Oswaldo Faustino | Foto: Divulgação

O Bem-Amado | Foto: Divulgação

O Bem-Amado | Foto: Divulgação

Todos sabemos que O bem-amado se trata de uma novela muito bem-humorada, que se passa na cidade fictícia de Sucupira, no litoral baiano, sobre um político ardiloso, uma ousada sátira sobre os tempos de ditadura militar em que vivíamos.

Porém, a novela tinha várias histórias paralelas, como a de Zelão (Milton Gonçalves), um pescador que escapou vivo de um temporal e prometeu honrar o nome a Bom Jesus dos Navegantes, voando às alturas. São inúmeras as tentativas, novela afora, até que, no último capítulo, o vemos subir à torre da igreja e a imagem fica congelada, enquanto ouvimos a voz de Mário Lago dizendo: “Aqui, a nossa história para, pois tudo o que sabemos daí em diante é de ouvir contar.” Zelão se movimenta fazendo o sinal da cruz e, diante dos rostos pasmos dos moradores de Sucupira, e dos telespectadores, se atira do alto da igreja.Começa a bater asas. Então, volta a voz do narrador: “E Zelão voou. Se você duvida, é um homem sem fé.”

Eu sou um homem de fé, principalmente em nossa capacidade de voar, sem limites. Para tanto necessitamos das asas da formação, do empenho, da coragem, da autoestima. De preferência, que seja asas coletivas para se tornar um voo comunitário. Sem nos esquecer de nos libertar do peso dos preconceitos, do racismo e, principalmente, do complexo de inferioridade.

Hoje, quando as novelas brasileiras são exibidas em vários países, inclusive africanos, não são pouco os que param, mundo afora, para ver Zelão voar. Somos nós voando juntos. Somos ou não somos?

 

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