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O Brasil que queremos

Por: Theo Van der Loo

Novamente agradeço o privilégio e oportunidade de estar aqui me manifestando como homem branco. Conforme escrevi anteriormente, a luta contra o racismo é de todos nós que queremos um Brasil mais justo, mais inclusivo e menos desigual. Nesta jornada as pessoas brancas tem, igualmente, um papel importante a cumprir. Até porque são elas que comumente detém o poder para gerar as mudanças necessárias. É preciso ter empatia, ser genuíno nas intenções e dar o exemplo.
Algum tempo atrás uma amiga citou uma frase de Angela Davis, que me fez refletir muito.

“Não basta ser não-racista, é preciso ser anti-racista”.
Por definição, me refiro aqui às pessoas não-negras. Aprendi que não existe racismo contra o branco. Isso é uma invenção dos próprios brancos. Nós, homens brancos, somos o modelo padrão, o de referência. Em inglês “default”.

Criei uma linha imaginária. De um lado o racista e d’outro lado o anti-racista. O que existe entre estes dois pontos? Que tipo de gente? Que nome daremos aos indivíduos do meio, entre os dois extremos?

Podemos concluir que o racista, além de cometer um crime, é o lado “mal”. Ele sabe muito bem disso, sabe que está errado. Por este motivo dificilmente se expõe. O anti-racista é o lado “anti-mal” e não pode e não deve ficar calado. Tem, por definição, a obrigação de lutar contra esse “mal”, uma realidade crônica, que assola o Brasil desde da chegada dos primeiros escravos.
Se você é apenas não-racista você está ajudando a quem exatamente? Se você não se engajar visivelmente e de preferência, publicamente, contra o racismo, você não é um anti-racista. Portanto, voltamos à pergunta: as pessoas que não são racistas e nem anti-racistas, são o quê?

“Em cima do muro”? Espectadores? Simpatizantes? Torcedores do bem? Omissos? Medrosos? Covardes? Cúmplices silenciosos? Scham que não são racistas, mas no fundo são? Às vezes são racistas e às vezes não-racistas?

Pense em você, como branco, se colocando no meio desta linha imaginária. Você considera que está mais para o lado racista ou o lado anti-racista? Se você diz que não é racista, aceitaria, como branco, que seu filho ou filha tivesse um parceiro ou parceira negra?

Como branco, quantas conexões com pessoas negras você tem no Facebook, Instagram e Linkedin? Você já conversou os negros mais próximos a você sobre o racismo? Sobre as histórias de agressão que sofreram e sofrem nas suas vidas?

Quando a vasta maioria dos negros relata que sofre discriminação e preconceito nas escolas, no mercado de trabalho ou nas lojas, eu me pergunto: não é muita arrogância da parte dos brancos dizer que é tudo “mimimi”? Quem somos nós para julgar isso?
Por muito tempo me senti um simpatizante da causa. Achando que “a causa” era dos negros. O protagonismo é dos negros. Isso está claro. Mas se eu, como pessoa branca, não me engajar visilvemente ou publicamente, o que mudará, de fato? Quanto tempo vai demorar para atingirmos a igualdade que tanto precisamos?

Inicialmente, minha jornada anti-racista foi solitária. Pessoas me chamavam de “corajoso”. Questionavam “onde eu estava me metendo”. Eu era considerado um sonhador e até ingênuo. Talvez até façam piadas sobre isso.

Mas não é preciso ter coragem para fazer o que é justo e correto. Nunca senti assim. Não é necessário ser muito inteligente, nem muito sensível para saber que algo está errado neste país. Criamos um “Apartheid Velado”. Basta olhar em nossa volta, nos grande eventos empresariais, restaurantes, teatros, etc. Onde estão os negros? É esse o Brasil que queremos?

Convido você, pessoa branca, a ser um anti-racista também!! Não tenha receios. É uma experiência fantástica, transformadora, que tornará sua vida mais plena e feliz. O Brasil precisa muito do seu engajamento.

Agradeço a todos, principalmente os negros, que enviaram e e seguem mandando mensagens de apoio e agradecimento. É o melhor combustível para eu seguir adiante.

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