Leia o poema "Mama África", da militante e poeta angolana Deolinda Rodrigues

 

TEXTO: Deolinda Rodrigues | FOTO: www.platinaline.com | Adaptação web: David Pereira

Busto de Deolinda Rodrigues | FOTO: www.platinaline.com

Busto de Deolinda Rodrigues | FOTO: www.platinaline.com

Poema "Mama África", de Deolinda Rodrigues:

África
Mamã África geraste-me no teu ventre nasci sob o tufão colonial chuchei teu leite de cor cresci atrofiada mas cresci juventude rápida como a estrela que corre quando morre onganga hoje sou mulher não sei já se mulher se velhinha mas é a ti que venho
África
Mamã África

Tu que me geraste não me mates não praguejes um rebento teu senão, não tens futuro, não sejas matricida. sou Angola,a tua Angola não te juntes ao opressor ao amigo do opressor nem a teu filho bastardo eles caçoam de ti

Caíste na ratoeira enganada não distingues o verdadeiro do falso no teu cândido e secular vigor cegaste agora és tu

África,
Mamã África que dás força ao irmão bastardo para asfixiar-me azagaiar-me pelas costas o opressor, o amigo do opressor o teu filho bastardo
(também tu, Mamã África?)
Divertir-se-ão
Ao ouvir-me expirar

Mas África,
Mamã África pelo amor da coerência ainda quero crer em ti.

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