Veja a história, ainda em construção, e os objetivos da União Africana

 

TEXTO: Zulu Araujo* | Adaptação web: David Pereira

Saiba mais sobre a União Africana

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Em 25 de maio de 1963, por iniciativa do Imperador da Etiópia – Haile Selassié – e apoiada por mais 32 países africanos, que buscavam caminhos e instrumentos que assegurassem a unidade, a democracia, o desenvolvimento econômico e a libertação plena do colonialismo, nascia a Organização da Unidade Africana, mais conhecida como OUA, à imagem e semelhança da ONU. Reestruturada em 2002, e renomeada como União Africana, a UA, é hoje composta por 52 países, mantendo os mesmos objetivos que lhe deram origem em 1963.

Junto com a UA, foi criado o programa intitulado NEPAD – Novas Parcerias para o Desenvolvimento da África – como uma nova esperança e um novo alento no sentido de sensibilizar, mobilizar e articular as forças políticas, sociais e econômicas africanas para retirar o continente da lanterna do desenvolvimento mundial, além de propor uma agenda política positiva onde a “ajuda” fosse substituída pela cooperação e parceria, com ênfase no desenvolvimento sustentável e a inserção da África no circuito virtuoso do desenvolvimento mundial.

Portanto, celebrar o cinquentenário da União Africana, deve ser muito mais que declarações de princípios ou de irmandade que devam unir os membros da diáspora negra no mundo e o seu continente mãe. Particularmente para o Brasil, e mais particularmente para os afrobrasileiros, esta celebração deve se constituirnum momento de reflexão e apresentação de propostas concretas que façam avançar as relações políticas, econômicas e sociais entre o Brasil e o continente africano, na trilha da superação dessas mazelas históricas. O renascimento africano e o panafricanismo, precisam ganhar concretude, estar alinhados com a melhoria das condições de vida, tanto dos africanos quanto de sua diáspora.

A luta pela promoção da igualdade racial no Brasil precisa ter reflexos práticos na luta pela democracia no continente africano. A ampliação do intercâmbio cultural e da troca de experiências tanto no campo cultural quanto no cientifico devem servir para o aprimoramento das relações entre os individuos, os povos e suas necessidade básicas. O apoio para o desenvolvimento econômico entre o Brasil e os países africanos, necessitam de qualificação permanente para que não cultuemos ou fortaleçamos um passado histórico quenão dignifica a ninguém, a exemplo das guerras étnicas e religiosas e da espoliação violenta ainda vigentes tanto no Brasil quanto no continente africano.

Do mesmo modo, o movimento negro brasileiro, precisa urgentemente sair da retórica caricatural dos nossos slogans de apoio aos “nossos irmãos africanos” e aprofundar o conhecimento sobre as distintas e complexas realidades existentes hoje na África e tratá-las com a seriedade e profundidade que merecem. Aliás, neste aspecto, a desinformação sobre a complexa realidade africana não é um privilégio do movimento negro, tendo em vista que boa parte da nossa elite dirigente ainda pensa e age como se a África fosse um país e não um continente com 56 países, gerando como consequência as análises, propostas e intervenções mais toscas possíveis, quando não reproduzem os mesmos vícios e deformações que os colonizadores nos impingiram durante anos.

O sucesso da UA em atingir suas ambiciosas metas, é tão importante para o continente africano quanto para a diáspora negra no mundo. E o Brasil, contendo a maior população negra fora do continente e com os significativos avanços que tem conquistado na promoção da igualdade racial, tem uma enorme contribição a dar.

*Zulu Araujo é Arquiteto e ex-presidente da Fundaçao Cultural Palmares

 

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