Último dia de Fórum Brasil Diverso reforça importância da união entre setor público e privado na luta contra o racismo estrutural

Durante os dois dias de evento, lideranças do Brasil e do exterior trouxeram novas alternativas para levar pessoas negras a cargos de liderança, promovendo mudanças estruturais

O segundo e último dia de Fórum Brasil Diverso debateu as iniciativas que tem sido adotadas por instituições acadêmicas, sindicatos e fundos de investimento para analisar o cenário pré e pós-pandemia e propor soluções que ofereçam autonomia financeira para população negra.

Com a participação da americana Alexis Mootoo, que em sua dissertação no PhD pela Universidade do Sul da Flórida examina a persistência do racismo estrutural nas Américas. Ela também atua como vice-presidente assistente para gestão de recursos e desenvolvimento comunitário, leciona disciplinas de Ciência Política, Estudos Latino-Americanos, Estudos Africanos e Humanidades na USF.

Durante sua fala, no evento promovido pela Revista RAÇA através do CEO Maurício Pestana, Mootoo deixou um recado importante sobre o papel de pessoas brancas no desenvolvimento de um trabalho substancial que modifique as bases do ensino, que hoje tem todas as características moldadas por homens brancos. Para Motoo, além de contratar pessoas negras, as companhias que desenvolvem programas de diversidade devem investir para levá-los à funções de liderança, evitando tokenismo.

Alexis Mootoo – vice-presidente assistente para gestão de recursos e desenvolvimento comunitário, leciona disciplinas de Ciência Política, Estudos Latino-Americanos, Estudos Africanos e Humanidades na USF

Em seguida, os “Acordos coletivos e inclusão social no mundo do trabalho” foram discutidos por Douglas Izo, Presidente da Central Única dos Trabalhadores de São Paulo (CUT-SP), Ricardo Patah, Presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT) e Thaís Dumêt Faria, Oficial Técnica em Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Já Giovanni Harvey, Presidente do Fundo Baobá, Judith Morrison, Conselheira Sênior da Divisão de Gênero e Diversidade do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Luana Ozemela, Fundadora e CEO da DIMA Consult falaram sobre a importância do “Investimento público e privado na inclusão social”.

No painel, Judith Morrison trouxe dados estatísticos importantes que mostram as disparidades de oportunidades no mercado de trabalho entre homens e mulheres negros e brancos, apontando que os pertencentes aos grupos minorizados estão em constante desvantagem nos cargos de liderança e gestão.

Também participam da rodada, Giovanni Harvey, Presidente do Fundo Baobá e Luana Ozemela, Fundadora e CEO da DIMA Consult. Em sua fala, Ozemela aponta que os dados apresentados por Morrison notadamente mostram que as mulheres negras, mesmo qualificadas, ganham menos que homens brancos. Para ela, “O acesso à educação não está sendo o fator determinante do progresso econômico da população negra”. Luana acredita que precisamos ter acesso ao capital social que circula entre a população branca e de elite para mudar a estrutura.

Luana Ozemela, Fundadora e CEO da DIMA Consult

Para finalizar a sétima edição do Fórum Brasil Diverso, o CEO da revista RAÇA e do Fórum realizou uma entrevista especial com Jair Ribeiro da Silva Neto, que atua no Pacto de Promoção da Igualdade Racial. Silva Neto pontou durante a entrevista a importância da educação e de mudanças estruturais no setor para que pessoas negras possam ter mais acesso a ensino de qualidade e a mais oportunidades.

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