Vem sentir o verão DUGUETO!

Carol Barretomarço 16, 20204 min
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Por Carol Barreto
Fotos: Edgar Azevedo e Renan Benedito

Chegamos a 2020 comemorando um ano de muito crescimento e autoafirmação por parte de pessoas negras artistas. Em pleno caos internacional e decréscimo dos poucos avanços que tivemos no que se refere aos direitos das populações minoritárias em representatividade, intensificaram-se e se multiplicaram, por meio da arte, da criatividade e do design, as nossas maneiras de reivindicar por uma existência digna.

Com as possibilidades de autoedição e autopromoção propiciadas pela internet – mesmo que ainda vigiadas e monitoradas pela hegemonia – nosso senso de auto-organização se sofisticou. Por isso, pensar na importância da edição da aparência, por meio da criação de imagens que evoquem verdadeira representatividade na internet é se conectar com uma linguagem e uma forma de comunicação que também se definem como um marco geracional. Quem nasceu depois do advento da internet e com a dinâmica das redes sociais, não separa o mundo real do virtual. Do mesmo modo como nas reflexões acadêmicas já eliminamos as tentativas de discernimento entre aparência e essência, ou qualquer um desses paradigmas já superados.

Com uma câmera na mão e uma boa ideia na cabeça, o universo cotidiano de jovens negras e negros periféricos ultrapassa sua sociabilidade cotidiana e, atrelando suas belezas à arquitetura e dinâmica social de suas comunidades, têm compartilhado o seu Ser e Estar no mundo, de dentro para fora e não mais sob as lentes de curiosos infiltrados.

Dessa forma, tenho captado nessa coluna as diversas movimentações inovadoras no campo das visualidades baianas, por conta da pouca visibilidade midiática que temos no Brasil, fora do estado da Bahia. Estou atenta aos trabalhos que, de um modo diferente do comum, são protagonizados por nós mesmxs em vez de nos trazer representadxs a serviço de uma mídia hegemônica que apenas nos “enaltece”, de maneira estrategicamente controlada, para vender o ideal de beleza dos brancos e ricos.

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Carol Barreto

Mulher Negra, Feminista e como Designer de Moda Autoral elabora produtos e imagens de moda a partir de reflexões sobre as relações étnico-raciais e de gênero. Professora Adjunta do Bacharelado em Estudos de Gênero e Diversidade - FFCH – UFBA e Doutoranda no Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade – IHAC – UFBA, pesquisa a relação entre Moda e Ativismo Político

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