Visita de Bolsonaro à ONU gera polêmica

Visita de Bolsonaro à Nova York gerou polêmica, além de negar ter tomado a vacina Bolsonaro teve que comer na calçada, defendeu tratamento precoce na ONU

A comitiva brasileira embarcou para os Estados Unidos no domingo (19), a viagem tinha como objetivo levar o presidente Jair Bolsonaro à 76ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, cuja abertura ocorreu na última terça-feira (21). O presidente brasileiro fez o discurso de abertura da Assembleia, uma tradição mantida desde 1947.

Mas desde sua chegada aos EUA, Bolsonaro deu sinais de que não seguiria qualquer recomendação estabelecida pelas autoridades de Nova Iorque. Como afirma não estar vacinado, o presidente e seus ministros foram impedidos de entrar nos restaurantes de NY, que exigem uso de máscara e vacinação, e fizeram o primeiro almoço na calçada, comendo pizza com refrigerante.

Em reunião com o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, na segunda-feira, Bolsonaro negou ter tomado a vacina enquanto o ministro britânico incentivava as pessoas a fazê-lo, afirmando que já tinha sido imunizado com a vacina produzida pela Oxford/AstraZeneca.

Depois da reunião, Bolsonaro almoçou em uma churrascaria brasileira, que improvisou mesas na calçada protegidas por um pano preto para proteger a comitiva brasileira dos olhares dos pedestres.

Em entrevista coletiva concedida a jornalistas na segunda, o prefeito de Nova York, Bill de Blásio, deu um recado direto ao presidente brasileiro “Precisamos enviar uma mensagem a todos os líderes mundiais, incluindo, principalmente o Bolsonaro, do Brasil, que se você pretende vir aqui, você precisa ser vacinado. Se não quiser ser vacinado, não se incomode em vir, porque todos deveriam estar seguros juntos. Isso significa que todos precisam ser vacinados”, disse.

Na terça (21), durante o discurso de abertura, Jair Bolsonaro distorceu dados sobre o meio ambiente, sobre a economia, além de defender tratamento considerado ineficaz contra a Covid-19. O presidente se posicionou contra o passaporte sanitário, disse que no governo não há corrupção, tirou dados de contexto para afirmar que o desmatamento na Amazônia diminuiu, apresentou as manifestações de 7 de setembro como “as maiores da história”, fato esse que não existe, também exaltou o desempenho econômico do Brasil em 2021, afirmando que é um dos melhores entre os países emergentes.

Bolsonaro também afirmou em seu discurso de abertura que “Desde o início da pandemia, apoiamos a autonomia do médico na busca do tratamento precoce, seguindo a recomendação do Conselho Federal de Medicina. Eu mesmo fui um desses que fez tratamento inicial”, defendeu o presidente ao se referir a um tratamento cientificamente comprovado ineficaz.

Entre os demais vexames nesta viagem presidencial oficial, o diplomata brasileiro enviado para preparar a ida do presidente Jair Bolsonaro a Nova York testou positivo para Covid-19 no sábado (18).

O Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que fez gestos obscenos a manifestantes que estavam protestando contra o governo brasileiro, também testou positivo para a doença ontem, dia 21 de setembro. O fato deve encurtar a viagem do presidente à Assembleia Geral da ONU, trazendo a comitiva brasileira mais cedo para casa.

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