Conheça a história e a carreira da cantora Dayse do Banjo

 

TEXTO: Fernanda Alcântara | FOTO: Guilherme Joran | Adaptação web: David Pereira

 

A cantora Dayse do Banjo | FOTO: Guilherme Joran

A cantora Dayse do Banjo | FOTO: Guilherme Joran

 

Cantora, instrumentista, compositora, mulher e negra. Assim é Dayse do Banjo, artista de renome e longa história no cenário musical do Rio de Janeiro, que há tempos canta e conquista diversas gerações que admiram suas músicas. Suas raízes não negam que ela já nasceu para brilhar. A cantora foi criada na comunidade de Padre Miguel, berço musical de alguns dos maiores sambistas do Brasil e desde pequena já tinha o dom para a música. “Sou filha de um artista erudito, então eu nasci ouvindo música. Com oito anos eu já manuseava o violão e acredito que esta inspiração está no meu DNA”, afirmou. Dos seus vários orgulhos, o que mais chama a atenção foi sua expressiva presença no movimento de samba de Cacique de Ramos. “Eu tenho a felicidade de ter participado de um movimento que aconteceu no Rio de Janeiro na década de 80, época em que cheguei a tocar para mais de três mil pessoas”, conta ela sobre a agremiação de bambas fluminenses, de onde surgiram, entre outros nomes, Zeca Pagodinho e Almir Guineto.

Depois que conquistou o Cacique de Ramos, Dayse do Banjo resolveu aventurar-se pela passarela do samba. E não parou mais. No início dos anos de 1980, começou a acompanhar, como cavaquinista, os músicos Dominguinhos do Estácio, Neguinho da Beija-Flor e Jorginho do Império. Despediu-se do carnaval carioca em 1990, fazendo a harmonia do cavaco acompanhando no desfile, simplesmente, o mestre Jamelão, da Mangueira. Foi um sucesso. No ano seguinte conquistava, em São Paulo, junto com a Gaviões da Fiel, o título de campeã do carnaval paulista. Fazendo história, foi a primeira mulher a tocar cavaquinho nos desfiles oficiais no Sambódromo do Anhembi, aclamada pela imprensa especializada.

Simultaneamente ao carnaval, Dayse participava do projeto Seis e Meia, no teatro João Caetano, com a responsabilidade de acompanhar divas da nossa música como Dona Ivone Lara e Jovelina Pérola Negra. “Estou em momento especial da minha carreira, em função da maturidade pessoal e profissional. Trabalhei com muita gente importante para a música, mas não tenho um momento do qual eu mais me orgulho. Vivo vários momentos, sempre com intensidade.” A inspiração vem do seu padrinho, Almir Guineto, de quem fala com muito carinho. “Acho que todos nós temos mais de uma pessoa em quem se inspirar. Mas posso dizer com certeza que uma das figuras mais importantes para mim, até hoje, é com certeza o padrinho na minha carreira, Almir Guineto. Quando eu o vi tocando banjo pela primeira vez, descobri que era aquele instrumento que eu queria tocar, que era aquilo que eu queria. Almir, por si só, é a própria referência, é só olhar para ele. É voz tão negra falando na nossa carreira”, conta Dayse com emoção.
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