Veja qual é a ligação do prato tipicamente brasileiro com os escravos africanos

 

Texto:Roniel Felipe  | Foto: Roniel Felipe | Adaptação web Sara Loup

A feijoada e os escravos | Foto: Roniel Felipe

A feijoada e os escravos | Foto: Roniel Felipe

 

A fumaça dos caldeirões, a forte mistura de cores dos ingredientes, o convidativo aroma no ar, a variedade de temperos e as mãos negras que se confundem com os feijões de cor semelhante denunciam: É dia de Feijoada

Conhecida como Soul Food (alimento da alma) nos Estados Unidos, a história do maior símbolo da gastronomia brasileira está atrelada com alguns momentos históricos do País. Ironicamente, escravizados e escravizadores, colonos e colonizados dividem a atenção de estudiosos quando o assunto é a origem do prato.

A mais famosa e difundida história sobre o surgimento da feijoada remete ao Brasil escravocrata, do século XVIII. A tradição reza que africanos que trabalhavam nas lavouras de cana-de-açucar e habitavam as insalubres senzalas, se alimentavam basicamente de grãos, como milho e feijão, e das partes menos nobres dos porcos, rejeitadas pelos moradores da casa grande. Acredita-se que da mistura de tais ingredientes acrescidos à farinha de mandioca e temperos africanos, nasceu a feijoada.

Luís da Câmara Cascudo (1898-1986), um dos maiores historiadores e pesquisadores do folclore brasileiro, em sua obra História da Alimentação no Brasil, afirma que a feijoada ganhou popularidade no país através de dois grupos distintos: os desbravadores bandeirantes paulistanos e os vaqueiros nordestinos. Ainda de acordo com Cascudo, a resistência que o grão apresentava para se desenvolver em ambientes agrícolas pouco favoráveis foi de muita valia para esses grupos e sua popularização. A mais antiga possível origem do prato é relacionada aos povos indígenas que habitavam o Brasil por volta do ano 1500. De acordo com estudiosos, os aborígenes que se alimentavam basicamente de mandioca, também se alimentavam de feijões.

 

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