A voz das periferias na maior emissora do país

Flavia Cirinojunho 15, 20205 min
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Era abril de 2017 quando nos deparamos com um negro de dreads em pleno Encontro com Fátima Bernardes. Quem é do Sul já o conhecia da RBS, a filiada da Globo em Porto Alegre. Embora já tivesse trabalhado também no Profissão Repórter, foi no vespertino comandado por Fátima que Manoel Soares teve repercussão nacional. E, acreditem: não era a intenção dele! Não fosse sua total entrega, espontaneidade e verdade, a história teria sido diferente e hoje, quem sabe, estaria aqui escrevendo sobre um grande afroempreendedor que reinventou a indústria do pão de queijo…

Assumidamente “falador”, o baiano Manoel Soares, de 41 anos, já dava mostras na infância de que a Comunicação era o seu forte. Na escola, era “escalado pelos colegas” para fazer a professora parar de falar e se render ao seu papo descontraído.

Marido de Dinorá Rodrigues, paizão apaixonado por Vitoria, de 23 anos; Alex, de 19; Leonardo, de 15; Miguel, de 04; Ezequiel, de um ano e seis meses; e do caçula Izael, de 9 meses (“isso mesmo, não respeitei o resguardo”, avisa), o jornalista transforma suas 24 horas diárias em êxitos progressivos. Sua mãe, Ivonete, seus irmãos, assim como a mulher e os filhos, trabalham com ele. Uma trajetória cuja história engrandece e entra para o rol daquelas que nos enchem de orgulho! Confira!

Ancestralidade

“Minha base familiar é muito simbólica pra mim. Por parte de pai venho de uma linhagem de religião afro da Bahia, apesar de eu não ser um africanista, mas ter toda uma influência. Minha avó, dona Adalgisa, era uma matriarca muito respeitada. Por parte de mãe, meus avós são da Chapada Diamantina, oriundos da Serra da Barriga. Quando o Quilombo dos Palmares se dissipa, meus ascendentes que eram de Palmares vêm pra Chapada Diamantina, fazem uma viagem de 60 dias a pé. Lampião passou pelas terras de meus avós, recrutando grupos da minha família porque eles tinham fama de serem aguerridos nas suas convicções. Tudo isso estava em mim, mas de maneira muito instintiva.”

Salvador, onde tudo começou

“Nasci e fui criado em Salvador, na Boca do Rio. De lá saí com minha mãe, D. Ivonete, e meus irmãos, quando tinha 08 anos de idade, rumo a São Paulo. Meu pai vivia entre a honestidade e a desonestidade. Ele era músico, baiano percussionista muito conhecido. Era também mestre de obras, fazia construções civis. E era um traficante muito temido e respeitado. Minha mãe, diante desse universo, vendo que desses três caminhos que meu pai seguia, o crime era o que dava a ele mais visibilidade, idealizou uma fuga, algo alucinante, de que tenho um respeito.”

 A Fuga

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Flavia Cirino

Editora-chefe da revista RAÇA. Jornalista pós-graduada em jornalismo cultural e assessoria de imprensa, com ampla experiência em televisão e impressos. Também atua como relações públicas no universo corporativo e artístico.

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