Angela Davis, abolicionista, já foi até procurada pelo FBI por ser a voz do povo negro

 

Texto: Oswaldo Faustino | Foto: Divulgação | Adaptação Web Sara Loup

Angela Davis | Foto: Divulgação

Angela Davis | Foto: Divulgação

Nossa! Como palpitava meu coração diante das imagens de cabelos Black Power e as vibrantes palavras da pantera negra Angela Davis, que nos chegavam por meio de publicações de distribuição clandestina que circulavam de mão em mão, naquela fatídica década de 1970. Tão revolucionário quanto essa que foi a terceira mulher a integrar a lista de “Os 10 fugitivos mais procurados pelo FBI”, o som do trompete de Miles Davis rompia todos os paradigmas harmônios e melódicos tradicionais e conservadores, para dar-nos alento e o orgulho por ser a black music o suprassumo da contestação e da modernidade musical.

Ser contra o status que em seus campos de atuação era a marca comum desses dois Davis. Nascida no Alabama, onde o racismo apresentou suas garras mais cruéis, Angela, 18 anos mais jovem que Miles, demorou mais para ser compreendida, pois seu nome era associado ao comunismo, à conspiração, a sequestro, a assassinato e aos temidos Panteras Negras.

Angela Yvonne Davis, que nasceu em 1944, protagonizou um dos mais polêmicos e famosos julgamentos criminais da história dos EUA, talvez só superado pelos de O. J. Simpson e Michael Jackson, não por acaso, também três afro-americanos. Antes disso, porém, viveu toda a agitação da luta pelos direitos civis dos negros naquele país, nos anos 1960. Atuou no movimento estudantil, o SNCC, de Stokely Carmichael e, posteriormente, nas organizações políticas Black Power e Panteras Negras.

Cumpriu pena, viveu em Cuba e hoje continua em evidência denunciando as condições carcerárias nos Estados Unidos, que abrigam uma maioria de negros e latinos. Chama o sistema carcerário de “complexo industrial de prisões” e prega a “extinção do cumprimento de penas em presídios”. Porém, não quer ser vista como uma reformista prisional, mas sim como uma ‘abolicionista’.

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