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Billie Holiday, a cantora do jazz

  • Autor: Redator

  • Publicado em: 14/10/2016

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Conheça um pouco mais sobra a vida de Billie Holiday a cantora do jazz

 

Texto: Redação | Foto: Divulgação | Adapatação Web Sara Loup

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Billie Holiday | Foto: Divulgação
Billie Holiday | Foto: Divulgação

 

Um tempão atrás, numa conversa informal com Aroldo Macedo, criador da revista RAÇA BRASIL, o ultracriativo compositor baiano, Antônio Carlos Santos de Freitas, o Carlinhos Brown, teria dito algo como: “A gente pode até ser engraxate, mas tem de ser o dono da graxa.” É óbvio de que ele estava comentando a importância do empreendedorismo e, numa análise mais aprofundada, exaltando aqueles que assumem seu protagonismo e que se empenham na condução do próprio destino.

Seis anos antes do nascimento de Carlinhos Brown, Billie Holiday contou às gargalhadas a seu biógrafo Willian Dufty (entre centenas de episódios de sua conturbada biografia) um que a revela como uma menina que se destacava das demais exatamente por essa mesma consciência. Ao falar da própria adolescência, lembra-se de que as mulheres brancas de Baltimore costumavam pagar cinco centavos de dólar para as meninas negras lavarem apenas as escadarias de suas casas para salvar as aparências.

“Eu cobrava 15 centavos, afirma Eleonor (nome verdadeiro da cantora) e quando elas protestavam e perguntavam em que eu era diferente das demais, eu afirmava: ‘Este é o preço do meu trabalho. Eu trago meu próprio material de limpeza e só uso produtos das melhores marcas. Veja meu pano de chão, como é limpo! ”Mais do que ser dona de sua “própria graxa”, Billie oferecia um trabalho diferenciado: “Pelos mesmos 15 dólares, lavo também o chão de sua cozinha e de seu banheiro”, no que as patroas, com seu espírito explorador, viam vantagem.

Aí, com a rapidez de quem é dono de seu próprio destino, fazia o trabalho com alegria, no mesmo tempo que as demais gastavam para lavar apenas metade de uma escadaria. Assim, enquanto uma menina faxineira voltava para casa com 25 ou 30 centavos, ela retornava com 90. “Cheguei a ganhar dois dólares e 10 centavos, o equivalente a 14 escadarias e igual número de chãos de cozinhas e banheiros. E, como trabalhava cantando, o trabalho deixava de ser sofrido e conquistei a preferência das madames”, conclui.Toda a violência doméstica sofrida na infância, inclusive o estupro aos 10 anos, que resultou na internação num reformatório sob a acusação de “corrupção”, marcou sua vida trágica.

Porém, Billie Holiday se manteve sempre consciente de sua capacidade de dar milhares de voltas por cima, mesmo que a próxima queda viesse logo em seguida. E tudo porque ela era a dona de seu próprio pano de chão, de sua voz, de sua sensibilidade ímpar, que gerou pérolas como a dolorosa Strange Fruit: “Árvores do sul produzem uma fruta estranha/ Sangue nas folhas e sangue nas raízes/ Corpos negros balançando na brisa do sul/ Frutas estranhas penduradas nos álamos”. Uma canção de fogo, capaz de derreter até o coração congelado de um linchador da Ku Klux Klan.

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