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Chef Célia Miranda brilha em Paris

  • Autor: Flavia Cirino

  • Publicado em: 28/08/2018

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Ela foi a primeira mulher a ingressar na Academie Culinaire de France

Mulher, negra, nascida em Barra Bonita, no interior de São Paulo. Aos 35 anos, Célia Miranda é referência em Paris quando o assunto é gastronomia. Ao lado do marido, ela recebe em seu refinado apartamento, de frente para a torre Eiffel, em Paris, diplomatas, ministros, empresários, entre outros. Qualquer pessoa que esteja em busca de uma boa opção gastronômica, é só chegar ao Chez Nous Chez M Vous – em português, Nossa Casa, sua Casa

Célia era professora de inglês. Seu marido, um publicitário que conheceu na capital paulista. Em comum, tinham o amor pela gastronomia.

“Desde criança, sempre gostei de cozinhar. Eu era aquela menina que todos queriam na cozinha durante as viagens de amigos”, diz Célia.

Como bons amantes da culinária, o casal sempre gostou de receber amigos em casa. E estes convidados é que costumavam sugerir que a dupla montasse um negócio. O casal amadureceu a ideia e decidiu se especializar, fazendo seu primeiro curso no Brasil. Ele, cansado do ambiente corporativo e Célia,cansada das dificuldades de lecionar inglês, rumaram para outros ares e foram para a França em 2005.

A ideia era ficar em Paris por nove meses, tempo que duraria o curso na escola parisiense Le Cordon Bleu – um curso mais rápido, porque não queriam fazer uma nova faculdade e passar vários anos estudando. Célia, com talento ímpar, foi a primeira mulher a conquistar uma das 300 vagas disponíveis na Academia Culinária da França. Dos cinco brasileiros que figuram na lista, também está seu marido.

Disposto a se livrar do aluguel, o casal investiu na compra de um apartamento na refinada chic 15ème arrondissement, em Paris, um ponto de encontro da boa mesa. Não demorou para que encontrassem ali mesmo o local ideal para abrir um restaurante.

“Compramos este apartamento em 2006, pagar aluguel era um desperdício. Saímos à procura de um lugar que fosse legal e que mantivesse um charme com nosso jeito. Encontramos este lugar e nos apaixonamos de cara. Amor à primeira vista. Gastamos tanto para fazer a nossa cozinha que resolvemos ganhar dinheiro com ela. Daí surgiu a ideia de oferecer jantares fechados”, conta a Chef à RAÇA...

Com vista eterna para a Torre Eiffel, o restaurante, sem nenhuma cara de restaurante, foi concebido para ser uma extensão da casa de seus frequentadores. Na rueSaint- Charles, o casal recebe dez pessoas, no máximo, por jantar. Com hora marcada, os interessados pagam entre 120 e 150 euros, podendo levar a própria bebida, além de terem a chance de participar do preparo do cardápio. Até um passeio pela feira para escolha dos ingredientes é uma opção para quem prefere acompanhar de perto todas as etapas.

“Temos na rua de casa uma quitanda, três açougues, sendo que um deles é especializado em aves e caça. Ainda há padarias, lojas de chocolate, floricultura, especialistas em queijos e vinhos, supermercados e uma feira incrível, que acontece todas as terças e sextas. Em um passeio por ali, não se tem dúvida de que se está mesmo em Paris. Ainda mais quando olhamos da janela e contemplamos a maravilhosa Torre Eiffel”, destaca Célia.

A cozinha é aberta para a sala. O ambiente interno dá o tempero. Uma seleção especial de DVDs e uma biblioteca criam o clima doce lar. Apesar de receber pessoas do mundo inteiro, são brasileiros os clientes mais assíduos.

“Já houve um jantar em que tínhamos de falar português, inglês e francês. Mas a verdade é que a maioria dos nossos convidados são brasileiros, o que nos dá muito orgulho, pois com tantos restaurantes em Paris, eles escolhem o Chez Nous Chez Vous”

Com faturamento anual em torno dos 122 mil euros, o restaurante serve duas opções principais de menu: o tradicional (que inclui entrada, sobremesa e prato principal), que custa 100 euros, e o degustação (com sete pratos no cardápio), que custa 120 euros por pessoa. Os jantares podem ser harmonizados com vinhos na faixa de preço que o cliente desejar, ou o próprio vinho pode ser levado, com a cobrança da ‘taxa de rolha’ de 30 euros.

O cardápio é uma surpresa para o cliente até o último minuto.

“Sempre variamos nosso cardápio e gostamos de manter a surpresa até o último minuto. Há um questionário que cada cliente responde para podermos conhecê-lo melhor. Assim, podemos saber, por exemplo, se é uma pessoa que não come carne ou que é alérgica a algum alimento”, diz Célia.

A técnica utilizada na preparação dos pratos é sempre a francesa, mas a culinária do restaurante “caseiro”, é internacional e o casal aproveita a variedade de produtos disponíveis em Paris para misturar alimentos como os asiáticos, africanos e brasileiros nas receitas.

“Mas o que mais prezamos aqui é a troca de experiências. Se um cliente quiser acompanhar o preparo dos pratos, ele pode. Se quiser acompanhar o dia de compras, também é possível”, diz Gustavo.

 

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