Saiba mais sobre a história da cultura afro no município de Maragogi, em Alagoas

 

TEXTO: Eduardo Vessoni* | FOTO: Eduardo Vessoni | Adaptação web: David Pereira

Maragogi, em Alagoas | FOTO: Eduardo Vessoni

Maragogi, em Alagoas | FOTO: Eduardo Vessoni

A região de Maragogi, em Alagoas guarda também algumas histórias que nem sempre são contadas pelos locais. Criada como um povoado chamado Gamela, a cidade ganhou o status de vila em 1887, e passou a ser chamada Isabel, homenagem mais do que justa à famosa princesa que então encabeçava o processo que libertaria os escravos brasileiros. O nome atual do destino só surgiria alguns anos mais tarde, já declarado como cidade, em referência ao rio de mesmo nome que corta diversos trechos da cidade antes de chegar sereno nas praias locais.

A população local é conhecida também pelas intensas lutas, no século 17, contra a ameaça de invasão dos holandeses. Locais como Barra Grande e São Bento foram alguns dos cenários onde se deram alguns desses combates contra a invasão estrangeira. O destino assistiu ainda a um movimento que tentava trazer de volta o então Imperador D. Pedro I a seu trono no Brasil.

Conhecidos como Cabanada (ou Guerra dos Cabanos), os conflitos ocorridos a partir de 1832 tiveram início com os motins encabeçados por Antônio Timóteo de Andrade, no agreste de Pernambucano, e João Batista de Araújo, na praia de Barra Grande, em Maragogi, apoiados por uma insatisfação popular com as novas regras impostas pelo sistema regencial.

É naquele momento que índios, mestiços e negros fugidos de engenhos, conhecidos como ‘cabanos’ (por suas moradias em forma de cabanas), começam a engrossar o grupo de guerrilheiros que seguiriam em combate até 1850, quando o líder da Insurreição Cabana, Vicente de Paula é preso e enviado para um presídio de Fernando de Noronha.

Infelizmente, pouco se preservou do passado negro da região. O setor rural de Maragogi talvez seja o melhor endereço para relembrar aquele trecho da História, como a Fazenda Marrecas, uma área de 20 mil m² que ainda abriga construções de um engenho de cana-de-açúcar e um casarão de 1780. Atualmente, o local funciona como um hotel. “É uma pena não termos consciência da preservação dessa cultura afro na região. Perde-se algo de si, uma parte da nossa história”, lamenta Raquel Novolisio, secretária de cultura de Maragogi.

Enquanto o panorama não muda, resta ao visitante se entregar ao delicioso hábito de ouvir as histórias contadas pelos locais e ver o mar seguir batendo bem diante da porta de casa.

*O jornalista Eduardo Vessoni viajou com o apoio da Associaçãodo Trade Turístico de Maragogi e Japaratinga (Ahmaja)

 
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