Documentário desnuda o racismo estrutural

Redaçãoagosto 26, 20205 min
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Nove pessoas comuns. Nove histórias de vida, passadas dentro do cotidiano de uma cidade como São Paulo. Mas, entre elas, um denominador comum: todos têm a triste experiência de terem sido vítimas do racismo estrutural. Neste domingo, dia 23, o Globoplay lança o documentário exclusivo ‘Dentro da Minha Pele’, que traz histórias que evidenciam episódios racistas vividos por eles e depoimentos de estudiosos sobre o assunto.
O documentário é costurado por relatos desses nove personagens que, através das lentes da câmera, dividem com o público suas experiências de dor, superação, resistência e reinvenção. Entre as histórias contadas no projeto, estão a do médico Estefânio Neto, da modelo-performer Rosa Rosa, dos estudantes universitários Wellison Freire e Jennifer Andrade, da funcionária pública e ativista trans Neon Cunha, da trabalhadora doméstica Neide de Sousa, da corretora de imóveis Marcia Gazza, e do casal formado pela professora do ensino público Daniela dos Santos e pelo garçom Cleber dos Santos, que estão à espera do primeiro filho.
Ao longo do documentário, seis pensadores negros enriquecem o debate ao fazerem reflexões sobre o racismo no Brasil. São eles: a psicóloga Cida Bento, a escritora Cidinha da Silva, a arquiteta Joice Berth, o dramaturgo e pesquisador José Fernando de Azevedo, o historiador e músico Salloma Salomão e a filósofa Sueli Carneiro. Os depoimentos de três cientistas sociais – o sociólogo Jessé Souza, a psicóloga Lia Vainer Schucman e o tenente-coronel da Polícia Militar Adilson Paes – complementam as entrevistas,

Os respiros poéticos durante o filme ficam por conta da música negra contemporânea e do slam de jovens periféricos. Em um ateliê de arte e pintura, as cantoras Bia Ferreira e Doralyce interpretam a canção “Cota não é Esmola”, Chico César apresenta uma nova versão de “Respeitem meus cabelos, Brancos”, Luedji Luna aparece cantando “Iodo”, Thaíde traz o rap “Algo Vai Mudar”, Valéria Houston interpreta o samba “Controversa” e Anicidi Toledo, junto do Batuque de Umbigada, dançam a umbigada “Luís Gama”. Numa favela do Capão Redondo, os jovens slamers Bione e Barth Viera comparecem com a poesia produzida na periferia da cidade.

Diretor do projeto, Toni Venturi usa da metalinguagem para se expor criticamente na narração em primeira pessoa. Ele fala sobre sua ascendência italiana e sobre a conscientização de seus privilégios. Val Gomes, socióloga de descendência indígena e negra, faz sua estreia no documentário assinando a codireção do projeto.

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