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Ministra da justiça francesa contra o preconceito

  • Autor: Redator

  • Publicado em: 16/10/2016

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Conheça Chistiane Taubira, Ministra da Justiça francesa que comandou o projeto de lei que autorizou o casamento de pessoas do mesmo sexo

 

Texto: Oswaldo Faustino | Foto: Divulgação |Adaptação web Sara Loup

Ministra da justiça francesa contra o preconceito | Foto: Divulgação
Ministra da justiça francesa contra o preconceito | Foto: Divulgação

Vítima de pesados ataques racistas no ano passado, por ter comandado o projeto de lei que autorizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo na França, a ministra Chistiane Taubira lamentou não só o fato de ter recebido dos setores conservadores insultos, como o de “macaca”, mas a ausência de uma imediata e significativa reação social e midiática:

“O que mais me assusta é que não houve uma voz que se levantasse de forma alta e forte para alertar sobre o estado de deriva em que se encontra atualmente a sociedade francesa”. Para ela, “esses ataques racistas são na verdade direcionados ao coração da República”. Ao contrário do que alguns possam pensar, Taubira não é uma mulher negra que se manteve ausente dos debates sobre questões raciais e que só tomou consciência do racismo ao ser atacada publicamente, como se verifica em muitos casos mundo afora.

Filha de uma auxiliar de enfermagem, que a criou sozinha, Taubira nasceu em 1952, na cidade de Caiena, capital da Guiana Francesa. Estudou Economia na Universidade de Paris II, Sociologia e Etnologia Afro-Americana na Universidade de Paris I Panthéon-Sorbonne e na Universidade Pierre e Marie Curie. Doutorou-se em Ciências no Agro Centro Francês de Cooperação Agrícola.

O racismo em pauta Filiada ao Partido Socialista, ela foi deputada na Assembleia Nacional Francesa e elaborou a lei promulgada em 2001, que reconhece o tráfico atlântico de escravizados e a própria escravidão como crime contra a humanidade. Por isso, a ministra alerta seus detratores: “O racismo não é uma opinião, é um crime”.

O contra-ataque os conservadores não se conformam com a postura progressista de Christiane Taubira, mas se sentem obrigados a se desvincular dos ataques racistas contra ela para não serem prejudicados nas urnas eleitorais. Por isso, a Frente Nacional publicou uma carta lamentando os episódios. Para a ministra, que já foi também vice-presidente do Partido Radical de Esquerda, pelo qual se candidatou à Presidência da República Francesa, essa estratégia pode não funcionar.

“[A extrema direita] quer os negros nos galhos das árvores, os árabes no fundo no mar, os homossexuais no rio Sena e os judeus no forno”. Tal afirmação que motivou uma ação judicial da Frente Nacional contra ela. Christiane Taubira foi nomeada ministra da Justiça, pelo presidente François Hollande, eleito em 2012, por conta de sua postura irredutível com relação aos Direitos Humanos.

Assim, essa mulher negra de baixa estatura se agigantou, tornando-se Garde des Sceaux (guardiã dos selos), atribuição oficial de quem ocupa o Ministério da Justiça.

 

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