Veja a história do poeta brasileiro Waly Salomão

 

TEXTO: Redação | Ilustração: Leandro Valquer | Adaptação web: David Pereira

O poeta Waly Salomão | Ilustração: Leandro Valquer

O poeta Waly Salomão | Ilustração: Leandro Valquer

Sua poesia floresceu no solo sórdido e infértil da cadeia, mais precisamente, entre as grades do Carandiru, em uma prisão efetuada por porte de um cigarro de maconha. Lá, Waly virou o jogo (não se transformou em um bandido de verdade) e materializou um texto intitulado Apontamentos do pavilhão 2, que viria a ser introdutório do livro Me segura que eu vou dar um troço, lançado em 1972, com ilustração e diagramação de seu amigo, o artista plástico e anarquista, Hélio Oiticica. Daí em diante, a poesia se apossou permanentemente da vida de Waly, como ele mesmo disse: “Não me senti vitimizado de ver o sol nascer quadrado, pra mim foi uma liberação da escritura.”

Waly Salomão, filho de pai sírio, nasceu num ambiente árabe-nordestino que girava em torno do amor e dos livros, ouvindo a mãe – também baiana de Jequié – discutindo literatura com seus irmãos. Ele nunca mais pôde se desvencilhar desses objetos transcendentes. Já na adolescência, era um rato de biblioteca, guiando até mesmo a bibliotecária através do labirinto empoeirado de tesouros. No colégio, conheceu Gilberto Gil e foi, gradativamente, tomando conhecimento de outros artistas e estudantes da cidade. Matriculou-se na faculdade de Direito e estudou teatro, simultaneamente. Daí para a militância no Centro Popular de Cultura (CPC) foi um pulo. No Rio de Janeiro, conheceu Chacal, Torquato Neto, Caetano Veloso, Jards Macalé, Oiticica, e outras figuras que construíram o imaginário político-cultural da época. Ainda na efervescente década de 60, se iniciou como redator e colaborou em diversas publicações e jornais. Em 1972, publicou com Torquato Neto a única edição da revista Navilouca. Waly tramou produções de espetáculos de grandes artistas, como Gal Costa, e inventou, em 1973, com Jards Macalé, a estética “Morbeza Romântica”, que fundiu morbidez com beleza, e resultou no disco Aprender a Nadar.

Em 1980, escreveu o livro Gigolô de Bibelôs e, nesse período, foi reconhecido nacionalmente como grande letrista do movimento tropicalista. Em 1993, lançou Armarinhos de Miudezas e, em 1996 publicou a obra Algaravias. Com ela, ganhou o Prêmio Jabuti de Literatura. Dois anos depois, aos 54 anos de idade e vencendo um enfarte, publicou ainda o livro Lábia. Waly era um furacão feliz e onívoro, nada lhe escapava que não fosse transformado em poesia. No tão esperado ano 2000, publicou Tarifa de embarque e, em 2003, interpretou o poeta boca do inferno do período barroco, Gregório de Matos, no filme homônimo de Ana Carolina. No mesmo ano, a convite de Gilberto Gil, ocupou no Ministério da Cultura o cargo de Secretário Nacional do Livro. Tomou posse cantando! Seu último livro foi Pescados Vivos, publicado postumamente em 2004. Waly rompeu fronteiras, se contagiou e dialogou com todas as possibilidades expressivas da cultura. Quer saber mais sobre Waly Salomão? Assista ao filme Pan-Cinema-Permanente, de Carlos Nader.

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