Você na Raça

Em 2021, a Revista Raça vai dar espaço a pessoas fundamentais para nossa história de sucesso: você! Peça chave pro nosso incentivo diário! Quinzenalmente, escolheremos alguém para retribuir tamanha visibilidade, porque vocês são incríveis!

Iniciando esse projeto, trouxemos Marco Antonio dos Santos, colecionador da Revista Raça desde 1996, ano da primeira publicação..

Câmera fotográfica, bloquinho de anotações e um gravador. Desde 1989, estes itens acompanham a rotina do barretense Marco Antonio dos Santos, já que bem cedo, aos 19 anos, o Jornalismo o escolheu para trilhar os caminhos em redações de jornais impressos pelo interior de São Paulo. Apesar de fazer reportagens desde muito jovem, inclusive na Folha de São Paulo entre 1991 e 1993, o diploma pela Universidade de Ribeirão Preto – Unaerp foi conquistado muitos anos depois, em 2011, quando cursou através de bolsa integral pelo Prouni, já que antes não conseguiu fazer faculdade por ser o filho mais velho e ajudar financeiramente em casa. O jornalista de 50 anos, hoje é repórter no Diário da Região em São José do Rio Preto. Colecionador, ainda guarda os primeiros exemplares da Revista Raça e pontua a importância do veículo para a comunidade negra no Brasil.

Revista Raça: Você tem vários dos primeiros exemplares em casa, guardados com carinho… Por que começou a acompanhar nosso trabalho?

Marco Antonio: Eu acompanho a Revista Raça desde a criação. Comprei o primeiro número nas bancas. Desde criança, eu e meus irmãos sempre fomos atrás de referenciais, como filmes, heróis em quadrinhos e música negra. A revista é um marco para a comunidade negra e para a imprensa do país, porque é uma das revistas especializadas com mais tempo de publicação. Legal a Raça ter dado visibilidade para hip hop, atletas, políticos, empresários e atletas negros. Se temos hoje um Thiago Oliveira apresentando um Globo Esporte, aos finais de semana, uma parte é graças ao trabalho da Revista da pressão do movimento negro.

R.R: E como repórter, quais suas considerações sobre a Raça?

  1. A.: A Revista Raça sempre será minha referência positiva. Conheci muito da história de nosso povo pelas páginas dela, além de artistas e músicas. Espero que os editores estejam cada vez mais focados em também transferir o conteúdo para internet, principalmente redes sociais. É o futuro de toda imprensa. Vivemos em um período de epidemia de fake news e ter uma revista que conta a verdade é fundamental principalmente neste momento da história onde alguns radicais chamam o combate ao racismo de ‘mimimi’.

R.R.: Quais momentos marcantes da sua trajetória como jornalista?

M.A.: O bacana da profissão é que meu deu oportunidade de entrevistar muitas lideranças políticas. De Franco Montoro, Mário Covas, Quércia, Lula, Luis Antonio Fleury, Michel Temer. Cobri aqui no interior muitas eleições para governador e presidente, além das disputas municipais. O interessante é que em muitas destas coberturas, eu era o único jornalista negro. Hoje mudou bastante. Somos muitos.

R.R.: Além de jornalista, você integra algumas pautas do movimento negro pelo interor de São Paulo, certo?

M.A.: Sou militante negro. Por duas gestões integrei o Conselho de Desenvolvimento e Participação da Comunidade Negra do Estado de São Paulo. Nesta luta, tenho orgulho de ter ajudado Bebedouro ser pioneiro na implantação de cotas para negros em concursos públicos. Há reserva de 20% de vagas, isso já em 2002. Fato que até hoje, cidades grandes como Rio Preto, Ribeirão Preto, não têm. Foi uma vitória de todos os integrantes do Conselho da Comunidade Negra de Bebedouro.

R.R.: E como jornalista, você acredita que a profissão auxilia de qual forma?

M.A.: O combate ao racismo faz parte da minha pauta de jornalismo. Sempre aparece uma denúncia e é minha obrigação usar a minha profissão para dar voz às vítimas e cobrar empenho de quem tem o poder de punir.  Isso incentiva outras vítimas a denunciar também. Mas, não é só dever do jornalista negro. É dever dos jornalistas de todas as etnias. Não foi o povo negro que criou a discriminação, preconceito e racismo. Precisamos de todos juntos para mudar a situação.

Este é Marco Antonio dos Santos, senhoras e senhores!

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